Belo Horizonte
Itatiaia

'Espero que ele receba tratamento', afirma irmão de mulher decapitada por filho em BH

Pela condição de saúde mental, irmão de Jussara Maria Rodrigues da Cruz destacou que a família deve acolher o homem e buscar tratamento para ele

Por e 
Irmão da vítima, Carlos Murilo Rodrigues
Irmão da vítima, Carlos Murilo Rodrigues • Amandas Antunes/Itatiaia

"Espero que ele receba um tratamento", afirmou Carlos Murilo Rodrigues sobre o sobrinho dele, de 27 anos, que confessou ter decapitado a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues da Cruz, de 54, na casa em que moravam no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte. A declaração aconteceu durante o velório da vítima que acontece nesta terça-feira (23).

O irmão de Jussara confirmou que o sobrinho tinha a prescrição médica para alguns remédios psiquiátricos, mas não confirmou a existência de um laudo. Pela condição de saúde mental, ele destacou que a família deve acolher o homem e buscar tratamento para ele.

"Ele cometeu esse erro e sei que não estava no seu juízo perfeito. Temos que entender, como família que ele é uma pessoa boa", disse Carlos em entrevista à Itatiaia, acrescentando que o sobrinho, "por trás dessa maldade", tem um "coração bom" e é um "homem inteligente e carinhoso".

Carlos disse, ainda, que a família deve trabalhar para entender a situação e recuperar o sobrinho: "Já perdemos a mãe e perder ele simplesmente por um sentimento de raiva, de ódio, por ele ter matado, acho que não é o caminho", enfatizou.

O filho de Jussara foi preso em flagrante, na segunda-feira (22), na casa em que morava com a mãe há seis meses. Uma equipe da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) arrombou a porta do apartamento e encontraram o homem sem camisa. O tio dele contou à reportagem que, no momento em que o sobrinho foi abordado, ele estava cantando ópera até que confessou o crime dizendo: "matei minha mãe, não tem jeito de fazer mais nada".

Tio nunca viu 'tamanha crueldade'

Carlos contou à Itatiaia que se tornou policial em 1982 e já viu muitos crimes, incluindo mortes violentas. “Só não esperava de no final estar reservado uma situação dessa na minha família”, disse.

"Para gente é muito difícil porque como você vai imaginar uma coisa dessa, um filho matar a própria mãe com requinte de crueldade tão grande. Eu, nesses meus anos todos de trabalho, de polícia, nunca me deparei com uma situação dessa”, afirmou ele.

Na entrevista, ele destacou que o homem sempre teve o amor de todos da família. “A gente fez de tudo quando a gente observava alguns sinais nesse menino, mas a mãe dele só está ali porque ela é uma grande mãe. É o amor de mãe, o amor que ela sentia por ele é o que levou ela à morte. Se ela não tivesse tanto amor, ela estaria viva”, contou Carlos.

Segundo ele, a família já havia tentado intervir de maneira mais rígida, mas a mulher não permitiu. Carlos contou que o jovem voltou a morar com a mãe há cerca de seis meses, quando voltou de Portugal, onde morava com o pai. “Começou muito bem. Nessas últimas semanas, ele começou a ‘sair da linha”, relatou.

Velório

O velório de Jussara Maria Rodrigues da Cruz acontece nesta terça-feira (23) no bairro Jardim Alvorada. O sepultametno está marcado para às 15h, no Cemitério Jardim da Paz, localizado no bairro Caiçaras.

O que se sabe sobre o crime

Mãe foi assassinada pelo filho dentro de casa • Imagens cedidas à Itatiaia
Mãe foi assassinada pelo filho dentro de casa • Imagens cedidas à Itatiaia
  • Jussara foi encontrada decapitada na residência em que morava, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Em entrevista à reportagem, um irmão dela a descreveu como uma pessoa trabalhadora, comunicativa e dedicada aos filhos.
  • O filho dela, de 27 anos, é suspeito de cometer o crime e teria esquizofrenia, conforme repassado pela Polícia Militar e parentes.
  • Ele estava na cena do crime e foi preso em flagrante. No momento da abordagem, confessou o crime.
  • Parentes afirmam que há cerca de duas semanas, um espisódio de violência já havia dado sinais do perigo. O filho teria revirado a casa e trancado a mãe do lado de fora em uma noite fria. O irmão, ao chegar para socorrê-la, tentou acionar a polícia, mas foi impedido pela irmã, que queria proteger o filho.
  • A Polícia Civil de Minas Gerais investiga o caso.
Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

Por

Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

Por

Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.