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Policial reformado, irmão de mulher decapitada pelo filho diz que nunca viu tamanha crueldade

Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, foi encontrada morta nessa segunda-feira (22)

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Policial reformado, irmão de mulher decapitada pelo filho diz que nunca viu tamanha crueldade • Amanda Antunes/ Itatiaia

“Para gente é muito difícil porque como você vai imaginar uma coisa dessa, um filho matar a própria mãe com requinte de crueldade tão grande. Eu, nesses meus anos  todos de trabalho, de polícia, nunca me deparei com uma situação dessa”, afirmou Carlos Murilo Rodrigues. Ele é policial reformado e irmão de Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, decapitada pelo próprio filho com uma faca de cozinha. 

No velório da vítima, nesta terça-feira (23), Carlos Murilo contou à Itatiaia que se tornou policial em 1982 e já viu muitos crimes, incluindo mortes violentas, mas nada como esse caso. “Só não esperava de no final estar reservado uma situação dessa na minha família”, disse. 

Jussara foi encontrada morta na casa dela no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte, nessa segunda-feira (22). O filho dela, de 27 anos, suspeito de cometer o crime, estava no local e foi preso em flagrante. 

De acordo com Carlos Murilo e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), ele confessou o crime. “Ele falou para o policial: ‘Matei minha mãe, não tem jeito de fazer mais nada’”. O irmão de Jussara contou que o sobrinho toma remédio controlado, mas não tem certeza de qual é o laudo dele. Foi repassado que o suspeito teria esquizofrenia. 

Segundo Carlos Murilo, o sobrinho estava com mania de cantar ópera há dias, inclusive, estaria cantando no momento em que a polícia entrou na casa onde o crime ocorreu e quando foi conduzido. O tio contou ainda que o suspeito usava drogas. 

Carlos Murilo disse ainda que o sobrinho sempre teve o amor de todos. “A gente fez de tudo quando a gente observava alguns sinais nesse menino, mas a mãe dele só está ali porque ela é uma grande mãe. É o amor de mãe, o amor que ela sentia por ele é o que levou ela à morte. Se ela não tivesse tanto amor, ela estaria viva”, afirmou. 

Segundo ele, a família já havia tentado intervir de maneira mais rígida, mas a mulher não permitiu. Carlos Murilo contou que o jovem voltou a morar com a mãe há cerca de seis meses, quando voltou de Portugal, onde morava com o pai. “Começou muito bem. Nessas últimas semanas, ele começou a ‘sair da linha”, relatou. 

Nessa segunda-feira (22), outro irmão de Jussara contou à Itatiaia que um episódio de violência já havia dado sinais do perigo. O filho teria revirado a casa e trancado a mãe do lado de fora em uma noite fria. O irmão, ao chegar para socorrê-la, tentou acionar a polícia, mas foi impedido pela irmã, que queria proteger o filho.

“Quando eu estava acionando o 190 para vir ajudar, ela tomou o celular da minha mão. No mesmo instante em que ela se sentiu protegida pela chegada da polícia, ela já sentiu compaixão do menino”, revelou o irmão.

‘Espero que ele receba tratamento’

"Espero que ele receba um tratamento", afirmou Carlos Murilo sobre o sobrinho. Ele completou: “Ele cometeu esse erro e sei que não estava no seu juízo perfeito. Temos que entender, como família, que ele é uma pessoa boa". 

Segundo ele, por trás do ocorrido, o sobrinho tem um "coração bom" e é um "homem inteligente e carinhoso". “Já perdemos a mãe e perder ele simplesmente por um sentimento de raiva, de ódio, por ele ter matado, acho que não é o caminho", ressaltou.

O que se sabe sobre o crime 

  • Jussara foi encontrada decapitada na residência em que morava, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Em entrevista à reportagem, um irmão dela a descreveu como uma pessoa trabalhadora, comunicativa e dedicada aos filhos.
  • O filho dela, de 27 anos, é suspeito de cometer o crime e teria esquizofrenia, conforme repassado pela Polícia Militar e parentes.
  • O filho estava na cena do crime e foi preso em flagrante. No momento da abordagem, confessou o crime.
  • A Polícia Civil vai investigar o caso
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Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

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Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.