Doação de corpos à UFMG bate recorde e reforça formação médica

Programa da Faculdade de Medicina registra alta histórica de doadores e amplia pesquisas e treinamentos na área da saúde

Doação de corpos para a Faculdade de Medicina da UFMG atinge níveis recordes

Já pensou em doar o corpo para a ciência? Em Belo Horizonte, essa prática tem ganhado cada vez mais adesão. O programa de doação de corpos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) bateu recorde de inscrições e recebimentos em 2025.

“Em relação ao número de doadores cadastrados em 2024, tivemos 171 cadastros. Em 2025, esse número subiu para 203. Já em relação aos doadores efetivados, ou seja, falecidos que vieram para a universidade”, disse a professora Pollyana Helena Vieira Costa.

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Em 2024, a UFMG recebeu 21 doadores. Já em 2025, foram 27 — o maior número registrado desde o início do programa, em 1999.

Apesar de ser extremamente benéfica para a ciência, a doação ainda gera dúvidas sobre como funciona o processo. A professora explicou que o primeiro contato pode ser feito por telefone, e-mail ou pelas redes sociais da universidade.

“A gente recebe o contato para o agendamento da entrevista. O doador vem até a universidade, participa da conversa, assina o termo de doação, preenche os dados pessoais e autoriza a doação. Depois disso, ele recebe uma carteirinha de doador.”

A professora destaca que, após o falecimento, é essencial que a família comunique a universidade, já que não há acesso automático a esse tipo de informação.

“Uma coisa importante de se dizer é que a pessoa doou em vida, mas, se faleceu e os familiares não entraram em contato com a universidade, a instituição não fica sabendo da morte, porque não existe essa relação direta para obter esse tipo de informação.”

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Segundo Pollyana, a oficialização da doação ocorre em cartório, com acompanhamento da equipe da UFMG.

“Quando o familiar entra em contato, tudo é oficializado no cartório.”

Os corpos doados são utilizados na formação e no treinamento de profissionais da saúde, em cursos e procedimentos de alta complexidade.

“A gente tem diversos cursos aqui, como cirurgia de coluna e procedimentos avançados, em que os médicos vêm treinar no cadáver antes de atender o paciente real no hospital.”

Para a professora, nenhum recurso tecnológico substitui a experiência proporcionada pelo corpo humano.

“A doação é extremamente importante porque peças de plástico, inteligência artificial ou realidade aumentada não suprem o que um corpo humano consegue trazer de informação.”

Laura Gorino é graduanda em Jornalismo na UFOP e atua como Assistente de Comunicação na rádio Itatiaia Ouro Preto. A mineira atualmente atua na produção e apresentação do jornal e noticiários.

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