Dia do Pedestre: apesar da queda nos atropelamentos, BH registra média de três casos ao dia
Calçadas precárias, desrespeito à faixa e excesso de velocidade continuam entre os principais desafios para quem anda a pé na capital mineira

Neste sábado (8) é celebrado o Dia Mundial do Pedestre, uma data que busca conscientizar a população sobre a importância da segurança de quem faz o deslocamento mais básico e democrático das cidades: caminhar.
Embora Belo Horizonte tenha registrado redução no número de atropelamentos em 2026, especialistas alertam que o cenário ainda inspira preocupação. Dados da BHTrans mostram que, entre janeiro e junho deste ano, foram registrados 564 atropelamentos, dos quais 552 sem vítimas fatais e 12 com mortes.
No mesmo período de 2025, foram 615 atropelamentos, sendo 593 não fatais e 22 fatais. Apesar da queda nos registros e no número de mortes, a média continua alta: aproximadamente três pessoas são atropeladas por dia na capital.
Pedestres relatam insegurança nas ruas
Quem circula diariamente por Belo Horizonte afirma que caminhar pela cidade ainda é um desafio.
A gerente Juliana Xavier destaca que, além da própria geografia da capital, a mobilidade urbana dificulta o deslocamento dos pedestres. "Além da questão dos morros, que já é uma característica da cidade, a gente enfrenta problemas de mobilidade urbana", afirma. Marcelo Rabelo, aposentado, reclama da falta de respeito dos motoristas. "O pessoal não respeita nem os ciclistas. Na faixa de pedestres, muitos param em cima da faixa", diz.
Já Patrick Costa aponta a deficiência na sinalização e o excesso de velocidade. "Falta faixa, falta sinalização para pedestres e muitos motoristas andam correndo", relata.
Calçadas são um dos maiores obstáculos
Para o especialista em trânsito Silvestre de Andrade, a discussão sobre segurança do pedestre vai muito além da relação entre veículos e pessoas atravessando as ruas.
Segundo ele, a infraestrutura urbana ainda deixa a desejar, principalmente em relação às calçadas.
"As calçadas, de um modo geral, não oferecem condições adequadas para atender às necessidades dos pedestres. Isso afeta cadeirantes, pessoas com mobilidade reduzida, quem empurra carrinhos de bebê e qualquer cidadão. Todos nós somos pedestres em algum momento do dia", afirma.
O especialista ressalta que o pedestre é o usuário mais vulnerável do sistema viário e, por isso, os motoristas precisam redobrar a atenção.
"O motorista deve estar atento ao usuário mais frágil do trânsito. O pedestre pode se distrair, atravessar fora da faixa ou até cometer algum erro. Isso exige ainda mais cuidado de quem está ao volante", explica.
Tecnologia pode tornar travessias mais seguras
Especialista em mobilidade urbana, Henrique Moura da Garra Traffic destaca que já existem tecnologias capazes de aumentar a segurança nas travessias.
Entre elas estão botoeiras sonoras para pessoas com deficiência visual e sistemas que ampliam automaticamente o tempo de travessia para idosos.
"Hoje já existem soluções tecnológicas que tornam as travessias mais acessíveis e seguras. O desafio é fazer com que essas ferramentas cheguem às cidades brasileiras", afirma.
Segundo Moura, a principal dificuldade está na capacidade financeira dos municípios para investir em novas tecnologias de mobilidade.
Segurança depende de todos
Especialistas reforçam que reduzir os atropelamentos exige uma combinação de infraestrutura adequada, fiscalização, educação para o trânsito e mudança de comportamento.
Respeitar a faixa de pedestres, reduzir a velocidade, evitar distrações ao volante e melhorar as condições das calçadas são medidas consideradas fundamentais para tornar Belo Horizonte uma cidade mais segura para quem caminha.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



