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Crateras em BH: por que o asfalto está cedendo? Especialista explica

Segundo a coordenadora do curso de Engenharia de Transportes do Cefet-MG, Crateras recentes na região Nordeste da capital e em Contagem, na Grande BH, estão ligadas ao excesso de água no solo

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Cratera na Rua Afonso Pena Júnior, entre Ruas Irmãos Kenedy e Rua Luther King
Cratera na Rua Afonso Pena Júnior, entre Ruas Irmãos Kenedy e Rua Luther King • Imagens cedidas à Itatiaia

Casos recentes de asfalto que cede e forma crateras têm chamado a atenção em Belo Horizonte e na região metropolitana. Em apenas um dia, um ônibus ficou parcialmente preso após parte de uma rua afundar no bairro Vista do Sol (Região Nordeste). Já no bairro Cidade Nova (também na Região Nordeste), um caminhão de coleta de lixo também acabou afundando depois que o asfalto cedeu durante a passagem do veículo. Na semana passada, uma situação semelhante foi registrada em Contagem (Grande BH), onde um carro foi “engolido” por uma cratera aberta na pista.

O que explica esse tipo de problema? Segundo a coordenadora do curso de Engenharia de Transportes do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG), Ana Carolina Simplício, o principal fator está relacionado ao excesso de água no solo.

“Infelizmente, nesta época do ano há muitos casos de afundamento do solo, principalmente no asfalto. Um dos principais fatores é a água: quando há excesso, o solo fica encharcado e mais fraco, o que pode causar esses afundamentos. Por isso, vemos crateras maiores ou menores. Isso pode ser causado por ligações clandestinas, vazamentos ou infiltrações, geralmente ligados a problemas na drenagem da água da chuva.”

A especialista destaca que, embora o período chuvoso contribua para esses casos, é preciso avaliar cada situação de forma específica.

“A gente precisa de um estudo mais detalhado para entender o que está acontecendo ali. Eu costumo dizer que o que acontece embaixo aparece na superfície. Na pavimentação, tudo o que ocorre nas camadas abaixo do asfalto acaba refletindo no próprio revestimento. Como estamos em um período de muitas chuvas, com grande volume de água, há mais infiltração e surgem buracos nas vias. Isso é comum nesta época do ano.”

• Imagens cedidas à Itatiaia
• Imagens cedidas à Itatiaia

Outro ponto levantado por Ana Carolina é a recorrência dos problemas nos mesmos locais, muitas vezes por conta de reparos incompletos.

“Eu costumo brincar que todo mundo tem um ‘buraco de estimação’ na porta de casa. Passa ano, entra ano, e o que acontece? É feita a operação tapa-buraco, mas muitas vezes ela não substitui corretamente todas as camadas afetadas. Então, se o buraco atinge só a camada superficial, que é o revestimento, o correto é fazer a substituição desse material.”

Sobre os materiais utilizados nas vias, ela explica que não existe um tipo universalmente melhor.

“O pavimento flexível e o pavimento rígido têm características de resistência que podem ser semelhantes. Não existe um melhor que o outro. Cada um é mais adequado para um tipo de situação. Ambos são bons, desde que usados de acordo com a finalidade para a qual foram projetados.”

Posicionamento da prefeitura

Por meio de nota, a BHTrans informou que a via no bairro Vista do Sol foi liberada no início da noite de segunda-feira e que o buraco é de responsabilidade da Copasa. Já no caso da rua Afonso Pena Júnior, no bairro Cidade Nova, a Subsecretaria de Zeladoria Urbana apontou erosão causada por abatimento da rede de drenagem pluvial.

Os trabalhos no local devem começar em breve.

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Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.