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Chocolate menor com preço maior? Entenda o que é a reduflação e como ela afeta o bolso e a saúde

Em Belo Horizonte, pesquisa aponta que barra de chocolate diminuiu de tamanho, mas preço aumentou

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O consumidor pode encontrar barras de chocolate com preços que variam até 116% na capital mineira • freepik/ reprodução

Você já foi ao supermercado e reparou que a embalagem de algum produto aparentava estar menor do que o usual, enquanto o preço continuava o mesmo, ou até mais caro? Uma pesquisa divulgada nessa segunda (15) apontou que isso aconteceu com barras de chocolate que, nas vésperas da Páscoa, diminuíram de tamanho, mas com preços mais altos.

Um exemplo foi visto nos valores da barra da Lacta que, no ano passado, quando a barra tinha 90 gramas, custava, em média, R$ 6,02. Agora, o preço subiu para R$ 6,31, sendo que o peso caiu para 80 gramas. O aumento no preço, sem considerar a diminuição do peso, é de 4,8%. Contudo, ao comparar o valor de 1 grama desse chocolate nos últimos 12 meses, o valor pulou de R$ 0,06 e para R$ 0,08 — um aumento de 17,90%.

Esse fenômeno ganhou um nome: reduflação. “Essa é daquelas criações do mundo comercial empresarial: a junção das palavras redução e inflação. Em razão da inflação, do aumento do custo de produção, as empresas estão reduzindo a quantidade ou até mesmo a qualidade do produto, mudando os ingredientes e mantendo o mesmo preço. Assim, eles ganham mais e oferecem bem menos”, disse Thiago Augusto de Freitas, Presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/MG.

O especialista explica que a reduflação é legal, mas consumidor deve ser comunicado. “Legalmente falando, essa prática é sim permitida, desde que se tenha a observância de algumas regras muito claras. A primeira está no que diz respeito a colocar de forma clara, em letras grandes, em negrito, a redução. A lei brasileira também exige que, pelo menos durante seis meses, a informação da redução esteja nas embalagens”, disse.

Thiago ainda ressalta uma alteração legislativa que impõe que todo o produto exposto no supermercado tenha a base de preço. “Quanto que é o quilo? Isso pode facilitar e entender qual é o real preço que estamos pagando naquele produto”, explicou.

Alerta para o bolso e para a saúde

Para o especialista, a reduflação é extremamente perigosa, não só por afetar o bolso. “É óbvio que você vai pagar mais por menos, ou seja, você é lesado duas vezes. Mas, o grande problema não é a questão financeira. Vários produtos estão sendo alterados. Por exemplo, o leite em pó, eles começaram a falar que é composto lacto”, disse.

Parece leite, é branco igual ao leite e a embalagem é igualzinha, mas… não é leite. É soro de leite. "Devido ao mesmo tamanho, a mesma embalagem, as mesmas imagens, o consumidor, quando pega aquele produto, acha que está levando leite em pó, mas está levando o composto lácteo. Isso também pode prejudicá-lo de forma sistemática na sua saúde”, alerta.

Por isso, Thiago diz sobre a importância da conscientização do consumidor. “Precisamos divulgar, contar, mostrar o que tem acontecido. Muitas vezes, a legislação prevê A, B ou C e até chegam a punir. Só que, a empresa fica seis meses, um ano vendendo um produto, e ela pode ganhar muito mais dinheiro do que a multa. Até isso, às vezes, é calculado”, disse.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.