Belo Horizonte
Itatiaia

Caso Clara Maria: um dos suspeitos do crime havia sido repreendido pela vítima por apologia ao nazismo

Agora, a PC investiga se a jovem sofreu violência sexual após ser morta; Thiago Schaffer Sampaio, de 27 anos, e Lucas Rodrigues Pimentel, de 29, estão presos

Por
Caso Clara Maria: Jovem foi morta por dívida de R$ 400, diz polícia | CNN Brasil
Caso Clara Maria: Jovem foi morta por dívida de R$ 400, diz polícia | CNN Brasil • Créditos: CNN Brasil

Um dos suspeitos de matar Clara Maria Venâncio Rodrigues, de 21 anos, era simpatizante do nazismo e teria sido criticado em público pela vítima. As informações foram repassadas em coletiva de imprensa pela Polícia Civil nessa quinta-feira (13).

Os suspeitos do caso foram identificados como Thiago Schaffer Sampaio, de 27 anos, e Lucas Rodrigues Pimentel, de 29 anos. Nenhum dos dois têm passagens pela polícia.

Leia também: Caso Clara Maria: ato na Praça 7 pede justiça pela morte da jovem

Nazismo

"Um deles [Lucas] fala alemão e faz apologia ao nazismo. A Clara o repreendeu por causa disso na mesa de um bar na frente de todo mundo", explicou o delegado Alexandre Oliveira da Fonseca. A apologia do nazismo se enquadra na Lei 7.716/1989, segundo a qual é crime: "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". A prisão pode chegar a três anos.

Caso Clara Maria: veja tudo o que se sabe até agora sobre crime brutal em BH

As investigações indicam que, por causa do episódio, Lucas ficou com "ódio" da vítima. E não pela discordância quanto à ideologia criminosa, mas pelo fato de Clara, uma mulher, questionar seu comportamento. Sendo assim, a PC trata o crime como feminicídio.

“No dia em que ela o repreendeu, nasceu esse ódio contra ela. Ele falava isso com o segundo autor [Thiago], de 27: 'Eu não aguento olhar para cara dela', 'ela acha que é quem para falar isso comigo?'. Então, no meu entender, o crime se caracterizou como feminicídio por não aceitar que uma mulher questione aquilo que ele entende que é corrente", acrescentou o delegado.

Interesse sexual do outro suspeito

Na coletiva de imprensa, polícia também revelou que Thiago, amigo de Lucas, tinha interesses em Clara Maria, que não correspondeu às investidas.

“Durante as investigações, também descobrimos que a vítima já havido sofrido assédio sexual por parte do ex-colega de trabalho e não teria correspondido às investidas. Além disso, no dia 6 de março, ele teria encontrado com a vítima em um bar e tomado conhecimento de que ela estaria namorando, o que teria lhe deixado com muita raiva”, acrescentou Fonseca.

A dupla confessou que enforcou a jovem na noite do último domingo (9) e enterrou o corpo na casa de Thiago, localizada na Rua Frei Leopoldo, no bairro Ouro Preto, na regional da Pampulha de Belo Horizonte.

Necrofilia

Agora, a PC investiga se a jovem sofreu violência sexual após ser morta. Testemunhas alegam que Lucas já havia dito, em determinada ocasião, que tinha interesse em cometer crimes de necrofilia — ato sexual com cadáver.

Da esquerda para direita: Thiago Schaffer Sampaio e Lucas Rodrigues Pimentel

Conforme o delegado, um ‘ato falho’ cometido por Thiago durante o depoimento reforçou a suspeita. “Ele disse que não bateu foto e não tocou no corpo dela. Isso é o inconsciente dele falando. Ninguém questionou o que ele fez com o corpo. Ele espontaneamente disse que não fez isso”, disse.

Entenda a dinâmica do crime

  • Clara trabalhava em uma padaria e tinha um colega de trabalho, Thiago, que lhe devia R$ 400;
  • Ele a contatou pelo WhatsApp no último domingo (9), dizendo que queria pagá-la e pediu que ela fosse até a casa dele;
  • Eles se encontraram em um ponto intermediário, mas ele a convenceu a ir até a casa dele;
  • Lucas deu uma gravata na JOVEM, enquanto Thiago colocou um pano na boca dela. Clara Maria chegou a se debater, mas acabou morrendo asfixiada;
  • O corpo nu ficou na casa durante a madrugada e, na manhã de segunda-feira (10), foi enterrado no pequeno jardim da casa;
  • O corpo começou a exalar gases e os autores jogaram entulho e cimento sobre a terra.

Quem são os suspeitos

Thiago Schaffer Sampaio, 27 anos

Natural de Salvador (BA), Thiago Schaffer Sampaio, de 27 anos, mora no endereço onde o crime aconteceu. Thiago conheceu Clara Maria no trabalho. Eles foram colegas em uma padaria em dezembro do ano passado, mas ele foi demitido após praticar pequenos furtos no estabelecimento.

Durante o período, a vítima lhe emprestou uma quantia de R$ 400. O autor confesso do crime pediu o dinheiro para, supostamente, comprar ração para o cachorro.

Lucas Rodrigues Pimentel, 29 anos

O segundo autor confesso foi identificado como Lucas Rodrigues Pimentel, de 29 anos. Ele é morador de Santa Luzia, na Grande BH. Segundo investigação da Polícia Civil, a motivação dele para cometer o crime foi que ele não gostou de ter sido repreendido por Clara após realizar um gesto nazista em um bar.

Após o desentendimento, o suspeito teria afirmado que iria matar a jovem e que “não aguenta mais olhar para a cara dela”.

Por

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.