Carros ocupam vagas de PCD em escola no Lourdes, em BH; três são flagrados em 15 minutos

Situação foi registrada em frente a uma escola e expõe dificuldades enfrentadas por quem depende das vagas adaptadas

Mesmo com fiscalização, desrespeito às vagas exclusivas para PCDs segue recorrente na capital

No dia a dia de pessoas com deficiência, é comum encontrar veículos estacionados irregularmente em vagas exclusivas para PCDs. O espaço é reservado para garantir acessibilidade e segurança, mas, na prática, nem sempre é respeitado.

Nessa segunda-feira (2), o Jornal da Itatiaia mostrou o depoimento de Juliana Alcântara, moradora de Belo Horizonte, mãe de um menino com paralisia cerebral e cadeirante.

Entre as dificuldades enfrentadas no trânsito, ela citou um ponto onde o problema é frequente: em frente à Escola Municipal Timbiras, na rua dos Timbiras, no bairro Lourdes, região Centro-Sul da capital.

A reportagem foi ao local para verificar a situação. Em cerca de 15 minutos, três carros foram flagrados estacionados na vaga exclusiva para pessoas com deficiência, sem autorização.

Dois motoristas admitiram estarem errados. Um deles, pai de aluno, afirmou que costuma parar onde encontra espaço disponível e sugeriu a criação de um sistema de embarque e desembarque rápido para facilitar o trânsito na porta da escola.

Outro condutor disse que estava apenas aguardando para iniciar corridas por aplicativo e pediu desculpas ao ser informado sobre a irregularidade. “Você está certo, estou saindo”, afirmou.

Falta fiscalização e consciência

O especialista em segurança no trânsito e professor do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG), Aguimar Bento Teodoro, avalia que o problema vai além da falta de informação.

“A cidade precisa ter infraestrutura que permita que todas as pessoas se locomovam com segurança e conforto. As vagas reservadas são uma forma de garantir acessibilidade a comércios, escolas e hospitais”, explica.

Segundo ele, a desobediência não ocorre por desconhecimento, já que as vagas são devidamente sinalizadas. “Eu acredito que muitas pessoas não respeitam por sensação de impunidade. A fiscalização não está em todas as vagas, e a chance de ser multado é pequena”, afirma.

Para o especialista, é preciso agir em duas frentes: ampliar a fiscalização e investir em campanhas educativas para conscientizar a população sobre a importância do respeito às vagas exclusivas.

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Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.

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