Caça aos imigrantes nos EUA faz Governador Valadares (MG) criar serviço de acolhimento a deportados
Prefeitura oferece serviços de assistência social, psicólogo, banco de empregos e cadastro em programas sociais; atendimento é sob procura

Em meio a caça aos imigrantes ilegais, promovida pelo governo Trump nos Estados Unidos, a cidade de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, criou uma estrutura pública para acolher quem for deportado.
O Serviço de Apoio ao Valadarense em Situação de Deportação dos EUA funciona desde fevereiro oferecendo serviços de assistência social, psicólogo, banco de empregos e cadastro em programas sociais, como o CadÚnico.
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"O serviço está funcionando desde o primeiro voo que chegou com os deportados neste ano. Mas eu entendo que esse serviço já deveria ter existido há muito tempo. Nossa relação com os Estados Unidos é desde a década de 1940, mas se intensificou em 1970. E, desde sempre, as pessoas de Governador Valadares em situação de ilegalidade vêm sendo deportadas dos Estados Unidos", comentou o prefeito.
"Inicialmente, queríamos ter acesso aos dados de quem [deportados] viria para Governador Valadares, mas não conseguimos. Então, o atendimento está sendo por demanda, por procura. As pessoas ligam, tem uma equipe que faz o primeiro atendimento e cada caso é analisado conforme sua peculiaridade. Tem pessoas que precisam de lugar para morar, emprego, assistência a saúde...", explica.
Expectativa é de mais deportados em 2025
"Criamos o serviço de apoio neste ano porque sabíamos que a demanda existe. É uma política americana deportar imigrantes ilegais. O Trump disse que priorizaria imigrantes que cometeram crimes, mas a gente ainda não percebeu nem um aumento de deportados, nem que exista algum criminoso entre eles. Mas só vamos saber se houve um aumento mesmo ou não no fim do ano, ao comparar o número de voos do ano passado e deste ano", disse.
"A maioria daqueles que vão para os Estados Unidos não são pessoas desamparadas aqui. Eles têm família e uma rede de apoio aqui, que os acolhem. As pessoas que precisam do atendimento acabam sendo aquelas que ficaram muitos anos lá e perderam os vínculos aqui. Acreditamos que a demanda possa estar reprimida também porque o serviço não existia. Agora que existe, a procura deve aumentar. A gente acredita que com a divulgação e os voos, aos poucos, mais gente vai procurar", disse.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


