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CAC que matou mulher em BH: 'Violência psicológica é a mais perigosa', diz delegada

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu nesta quinta (25) o inquérito sobre o feminicídio de Lídia Nandes, de 42 anos; O autor do crime tirou a própria vida logo após o assassinato

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Corpo de homem é encontrado próximo ao de mulher morta a tiro em avenida de BH
Corpo de homem é encontrado próximo ao de mulher morta a tiro em avenida de BH • Célio Ribeiro

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu nesta quinta-feira (25) o inquérito sobre o feminicídio de Lídia Nandes, de 42 anos, assassinada na manhã de 17 de maio, na Praça Manoel Bandeira, sob o Viaduto Murilo Rubião, no bairro Cidade Nova, região Nordeste de Belo Horizonte. O autor do crime, Antônio Luiz, de 49 anos, companheiro da vítima há 16 anos, tirou a própria vida logo após o assassinato.

Embora o investigado tenha morrido no mesmo dia, a Polícia Civil deu continuidade às apurações para esclarecer a dinâmica do caso, confirmar a motivação e reconhecer oficialmente a ocorrência de feminicídio.

Segundo a delegada Ariadne Coelho, coordenadora do Núcleo de Investigação de Feminicídios, as investigações apontaram que o crime foi planejado.

De acordo com a investigação, antes do crime ele escreveu um texto  de seis páginas, enviou mensagens ao irmão e a um grupo de moradores do condomínio onde vivia.

Lídia Nandes e Antônio Luiz deixam dois filhos, de 6 e 13 anos.

Vítima tentou se render

As investigações mostram que Antônio Luiz estacionou o carro na Rua João Gualberto Filho, a cerca de 400 metros da praça, e caminhou até encontrar a companheira, que fazia uma caminhada no local.

Imagens de câmeras de segurança registraram a abordagem. Segundo a Polícia Civil, Lídia chegou a levantar os braços em sinal de rendição, mas mesmo assim foi baleada diversas vezes.

Uma testemunha relatou que, após os primeiros disparos, o autor recarregou a pistola e voltou a atirar.

O laudo de necropsia identificou que a vítima foi atingida 12 vezes. Após o crime, o homem retornou ao veículo e efetuou um disparo e sim mesmo.

Investigação descarta participação de terceiros

Os exames toxicológicos não identificaram consumo de álcool ou drogas pelo autor. Segundo a Polícia Civil, o resultado reforça que ele estava plenamente consciente no momento do crime e afasta a participação de terceiros.

O homem possuía registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) desde 2018. Conforme a investigação, ele utilizou a arma em desacordo com as regras previstas para o transporte desse tipo de armamento.

Relação era marcada por violência psicológica

Corpo de mulher é encontrado em avenida de BH • Célio Ribeiro
Corpo de mulher é encontrado em avenida de BH • Célio Ribeiro

Apesar de não haver boletins de ocorrência ou medidas protetivas, familiares e pessoas próximas relataram que Lídia vivia um relacionamento abusivo.

Segundo a delegada Ariadne Coelho, o autor exercia controle sobre a rotina da companheira, restringia amizades, redes sociais e outras interações sociais. A investigação também apurou que a vítima havia contado à irmã sobre um episódio de violência sexual.

Para a instituição, o conjunto de provas demonstra que o feminicídio foi motivado pela recusa do autor em aceitar a autonomia da companheira e a possibilidade de separação.

Alerta para sinais de violência psicológica

Ao comentar a conclusão do inquérito, a delegada destacou que a ausência de registros policiais não significa ausência de violência.

Segundo ela, a violência psicológica costuma ser silenciosa e difícil de ser identificada pela própria vítima, por estar associada a comportamentos de controle, ciúme excessivo, isolamento e manipulação emocional.

A delegada reforçou que familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho têm papel fundamental na identificação desses sinais e no incentivo para que mulheres em situação de violência procurem atendimento.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.