Belo Horizonte
Itatiaia

Bailes funk transformam noites do Novo Aarão Reis em ‘inferno’, e população pede mudança

Audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte discutiu o tema nesta quinta-feira (7)

Por
Imagens cedidas à Itatiaia mostram multidão em bailes funk no Aarão Reis • Imagens cedidas à Itatiaia

Nos últimos 5 anos, a Polícia Militar recebeu 795 chamadas com denúncia de perturbação de sossego provocada por bailes funk no bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte. Segundo dados apresentados pela Polícia Militar na Câmara Municipal de Belo Horizonte, no mesmo período, 71 criminosos foragidos da justiça foram presos nestes eventos, e 23 pessoas foram presas em flagrante com veículos com queixa de roubo ou furto.

Além disso, 26 homicídios já foram registrados pela polícia, todos eles provocados por arma de fogo e de forma violenta. Os números de crimes apresentaram queda nos últimos anos, enquanto as operações policiais aumentaram e já chegam a 1.479.

Uma audiência pública no Legislativo Municipal tratou dos problemas causados por eventos irregulares, muitas vezes feitos em frente a adegas, e que obstruem vias e incomodam moradores ao longo das madrugadas de sexta e sábado.

Há duas semanas, ações da polícia e da fiscalização da prefeitura foram intensificadas, segundo moradores. E nem só a polícia tem agido, mas moradores afirmaram que faixas foram fixadas no último final de semana na comunidade afirmando que estavam proibidos “paredões de som” e “grau” de motocicletas.

O tenente-coronel Eduardo Lima, comandante do 13° da Polícia Militar, responsável pelo policiamento da área, afirmou que de 2023 até esta quinta-feira, houve 128 ocorrências de tráfico de drogas nestes eventos.

“A quantidade de desordem acarretada por causa de um evento irregular afeta diretamente, ela gera uma sobrecarga muito grande na Polícia Militar. Então é um problema crônico. E falo para os senhores, até pela quantidade de registros e ocorrências de tráfico de drogas que nós temos, e muitas delas decorrentes de baile funk”, explica.

“O principal produto comercializado no baile funk não é a bebida vendida pela adega. Não é, nós temos que falar umas verdades aqui, para que isso fomente aqui também as intenções de quem quer que se regularize um baile funk em via pública. É ponto de escoamento para o tráfico. Baile funk é ponto de escoamento para o tráfico”, acrescentou.

O militar afirmou que houve 128 ocorrências de tráfico de drogas na região no período. “Ali a gente tem venda de bebida alcoólica para menor de idade, consumo de droga por parte menor de idade, nós não temos ali um controle de acesso, nós não temos ali busca pessoal nos frequentadores”, afirmou na audiência pública.

Moradores pedem medidas e regularização

Moradores sugerem que haja um espaço destinado para estes eventos, com fiscalização e acompanhamento do poder público. Marcos Oliveira, é morador do Novo Aarão Reis, e uma das lideranças comunitárias da região. Ele acredita que é preciso haver diálogo entre moradores, frequentadores do baile e poder público.

“Eu acho que é necessário, sim, ter esse diálogo entre as partes da comunidade e poder público, porque nós entendemos que é direito fundamental também a cultura e também o direito ao sossego. Então, são direitos os quais é necessário um diálogo permanente para chegar no entendimento entre poder público, comunidade e toda a sociedade envolvida”, ponderou.

A audiência foi convocada pelo presidente da Comissão de Administração Pública e Segurança Pública, vereador Sargento Jalysson (PL), com a presença de moradores, comerciantes, representantes da justiça, do direito das crianças e adolescentes, e da PM e Guarda Municipal.

Segundo ele, a intenção não é acabar com os bailes, que podem ser considerados expressões de lazer. Entretanto, a Câmara busca vias para controlar o descumprimento da lei nestes eventos.

“A gente não é contra entretenimento, a gente não é contra o empreendedorismo, mas nós precisamos garantir o direito ao sossego, ao descanso dos moradores, em especial no caso de hoje, do bairro Novo Aarão Reis. Então a busca aqui é pelo equilíbrio, eu tenho certeza que nós vamos conseguir impedir que o baile funk irregular aconteça no local, e nós vamos buscar uma solução que vai agradar e nós temos os lados garantidos, prioritariamente, obviamente, o direito ao sossego, o direito da livre circulação do trânsito, o transporte coletivo, enfim, para que todos tenham como descansar, trabalhar no dia seguinte, mas também garantindo o direito do empreendedor ter o seu trabalho ali no dia a dia”, disse.

Dados do Sistema de Gestão de Operações da PM criminalidade Novo Aarão Reis (2022-2026)

Mortes violentas

Homicídios com arma de fogo:

  • 2022- 2
  • 2023- 10
  • 2024- 7
  • 2025 - 5 (1 feminicídio)
  • 2026 - 1

Apreensões de arma de fogo:

  • 2023- 26
  • 2024- 18
  • 2025- 9
  • 2026- 1

Roubos:

  • 2023 -11
  • 2024 - 6
  • 2025 - 9
  • 2026- 1

Prisões por receptação de veículos:

  • 2023-7
  • 2024-7
  • 2025-7
  • 2026-2

Mandados de prisão cumpridos contra foragidos da justiça:

  • 2023-32
  • 2024-17
  • 2025-12
  • 2026- 10

Ocorrências Tráfico de drogas:

  • 2023-53
  • 2024-34
  • 2025-32
  • 2026- 9

Chamados por perturbação do sossego:

  • 2022-193
  • 2023-116
  • 2024-159
  • 2025-249
  • 2027-78

1.479 operações preventivas

Por

Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.