Anel Rodoviário registra 10 acidentes e cinco mortes desde o início de 2023
Especialistas alertam para a falta de ações de prevenção contra acidentes no Anel Rodoviário e o alto fluxo de veículos no local

Desde o início de 2023, o Anel Rodoviário de Belo Horizonte já registrou, pelo menos, 10 acidentes automobilísticos, deixando cinco pessoas mortas. Além disso, no início de janeiro uma pista afundou na altura do bairro Betânia, região Oeste de BH, deixando a via parcialmente interditada por mais de 10 dias.
O maior volume de acidentes do ano aconteceu no primeiro fim de semana de fevereiro, que registrou cinco acidentes entre sábado (4) e terça-feira (7). Inclusive, as cinco mortes ocorreram neste mês.
No sábado (4), duas pessoas morreram carbonizadas após um acidente na altura do bairro Goiânia, zona noroeste de Belo Horizonte. Com o impacto da batida, o carro foi parar dentro de uma das casas da vila. O estrago foi tão grande que a perícia teve dificuldade para identificar a identidade das vítimas e até mesmo a marca do carro.
No domingo (5), outra morte foi registrada, desta vez no bairro Califórnia, região Noroeste de BH. Outras duas mortes foram registradas em um acidente complexo na manhã desta terça-feira (7), no Bairro Universitário, região da Pampulha. Um andarilho foi atropelado e duas carretas colidiram, prensando um carro.
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Tombamento de carretas
Só em 2023, quatro carretas tombaram no Anel Rodoviário, causando acidentes. Uma delas carregava ácido sulfúrico, complicando ainda mais os trabalhos de limpeza da pista, que ficou interditada por quase 24 horas. O especialista em trânsito Ricardo Pacheco explica que a demora para a limpeza da pista e atendimento no local se dá pela sua extensão e alto fluxo de veículos.
“Não tem uma forma de você chegar com rapidez no atendimento. Ou começa a execução dessa obra do novo Anel Rodoviário e tira um pouco do volume de trânsito daí, porque qualquer interdição a fila se forma muito rapidamente e é extensa, ou façam alguma coisa com esse Anel Rodoviário que temos”, declara.
Já Roberta Rocha, também especialista em trânsito, afirma que a falta de ações de prevenção é o principal motivador de acidentes no Anel Rodoviário. Ela explica que os gastos públicos seriam bem menores com a prevenção, do que são com as medidas corretivas.
“A gente trabalha no Brasil muito pouco na prevenção, em todos os aspectos, desde a implementação dos elementos da engenharia, que reduzem a probabilidade desses acidentes, mas também a severidade deles, quando não é possível evitar. A sinalização adequada, a sinalização vertical, horizontal e o investimento em ações educativas também. Não poderia deixar de citar o aumento da fiscalização em pontos específicos e que são mais inseguros. A prevenção é muito mais barata que as medidas corretivas e é muito melhor para a população também”.
Pontos de alagamento
Desde o início de 2023, pelo menos duas vezes foram registradas poças d’água gigantes no sentido Vitória, em frente ao Shopping Del-Rey e nas proximidades do Engenho Nogueira, na região Noroeste de Belo Horizonte. Nos momentos de alagamento, diversos carros precisaram parar no acostamento devido a problemas mecânicos e o fluxo ficou lento na região.
Em nota, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão responsável pelas obras no Anel Rodoviário, afirmou que está elaborando um projeto de adequação do trecho.
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Quem é responsável pelo Anel Rodoviário?
Apesar de ser uma via localizada em Belo Horizonte, o Anel Rodoviário não tem um órgão responsável pela sua administração específico. O policiamento é de responsabilidade da Polícia Militar Rodoviária de Minas Gerais. Portanto, este é o órgão que deve responder e agir em casos de acidentes na via.
Já as obras que devem ser feitas no Anel Rodoviário são de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), uma autarquia federal brasileira vinculada ao Ministério da Infraestrutura.
A única exceção é um trecho do Anel Rodoviário entre o Califórnia (região Noroeste de BH) e os Olhos D’água (região Oeste), que é privatizado e de responsabilidade da concessionária Via-040.