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Agiotas levaram geladeira e televisão de comerciante para quitar dívida em BH

Anúncios em redes sociais e panfletos prometem dinheiro rápido, mas vítimas relatam cobranças abusivas, ameaças e perda de bens

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Criminosos utilizam grupos de mensagens como forma de espalhar o medo e intimidar outras pessoas que estejam com pagamentos em atraso • Itatiaia

Uma comerciante da Região Metropolitana de Belo Horizonte afirma ter perdido uma geladeira e uma televisão após não conseguir quitar uma dívida com agiotas colombianos. O relato foi feito à Itatiaia e revela como empréstimos informais, oferecidos por meio de redes sociais e panfletos espalhados pelas ruas, podem se transformar em uma dívida difícil de controlar.

A vítima, que terá a identidade preservada por segurança, contou que conheceu os agiotas por meio de um cartão publicitário distribuído na cidade. Segundo ela, a facilidade para conseguir o dinheiro acabou dando início a uma sequência de empréstimos que resultou em uma dívida impagável.

"Eles falam que os pagamentos são diários. Eu peguei R$ 1 mil para pagar R$ 60 por dia. Depois peguei R$ 500, depois R$ 2 mil. Achei que conseguiria vender mais e quitar tudo, mas fui me enrolando", relatou.

Ela conta que, quando deixou de pagar uma das parcelas, passou a ser ameaçada.

"Eles falavam: 'Não quero saber dos seus problemas, não quero saber se a loja está fechada. Eu quero o meu dinheiro'."

Segundo a comerciante, os agiotas chegaram a retirar bens da residência para abater parte da dívida.

"Eu estava devendo R$ 4.800 para um colombiano. Ele levou uma televisão de cerca de R$ 3.500 e uma geladeira nova, avaliada em aproximadamente R$ 4 mil", afirmou.

Empréstimo é oferecido sem burocracia

A facilidade para conseguir o dinheiro chamou a atenção da reportagem da Itatiaia. A equipe entrou em contato com um número divulgado em um panfleto distribuído em um ponto de ônibus. A ligação foi atendida por um homem com sotaque colombiano.

Durante a conversa, ele explicou que o pagamento deveria ser feito por Pix ou em dinheiro e informou que não seria necessário apresentar comprovante de renda, assinar contrato ou fornecer qualquer garantia.

Segundo o homem, bastava preencher um cadastro para receber o valor. O primeiro empréstimo oferecido era de R$ 300.

Polícia alerta para outros crimes

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O delegado Raphael Boechat, responsável pela Operação Capital Coativo, que prendeu nove agiotas colombianos e cinco brasileiros na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirma que a agiotagem costuma estar ligada a diversos crimes mais graves.

Segundo ele, além da cobrança ilegal de juros, as investigações identificam práticas como extorsão, invasão de domicílio, roubo de bens utilizados para o trabalho das vítimas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

"Eles geralmente partem para crimes mais graves, como extorsão, roubo dos objetos de trabalho do comerciante, invasão de domicílio, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Esses delitos permitem uma responsabilização mais severa e ajudam a manter esses agiotas afastados das vítimas", explicou o delegado à Itatiaia.

A Polícia Civil orienta que vítimas de agiotagem denunciem os casos. Segundo os investigadores, quanto maior o número de denúncias contra um mesmo grupo, maiores são as chances de responsabilização criminal e de proteção às vítimas.

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Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.