Adolescentes da Grande BH são alvos de operação por incitarem auto mutilação e suicídio na internet
Uma menina de 15 anos foi apreendida e ficará 45 dias internada; suspeitos também também ordenavam vítimas a maltratar animais de estimação e incentivavam massacres em escolas

A Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou, nesta quinta-feira (19), a operação Banhammer, que combate crimes de ódio em ambiente virtual envolvendo adolescentes.
Em Belo Horizonte, uma menina de 15 anos foi apreendida por cometer atos infracionais análogos à associação criminosa, incitação à automutilação e apologia ao crime. A jovem ficará internada por 45 dias como punição às infrações cometidas.
Adolescentes incentivavam mutilação, suicídio e massacre em escolas
As investigações começaram em Brasília e, no decorrer do ano, os policiais analisaram conversas dos adolescentes pelo Discord, plataforma usada por "gamers" para conversar durante jogos online.
"O grupo consistia na reunião de adolescentes, por meio dessa rede Discord, onde eles faziam vídeos e lives de rituais de escravização virtual, escolhendo vítimas, notadamente adolescentes, para se auto mutilar, em meio a discursos de ódio, propagação de ofensas e fabulações de ataques", explica Carolina Máximo, delegada da terceira Delegacia Especializada de Investigação de Ato Infracional de Belo Horizonte.
Adolescente internada era administradora do grupo e escolhia quem iria participar de rituais
"As vítimas eram ameaçadas, diziam que eles estariam sendo monitorados, que os pais iriam saber, e elas eram 'obrigadas' a, por exemplo, ingerir produtos de limpeza, praticar crueldades com animais e a se auto mutilar. Obrigava-se a vítima a pegar um objeto cortante em casa, como uma tesoura, gilete ou faca, e a escrever frases no próprio corpo. As frases denotavam essa subjulgação ao grupo do Discord", detalhou Máximo.
"Ela era uma adolescente aparentemente tranquila. A mãe não desconfiava. Foi uma surpresa muito grande, não só para a própria adolescente de ter sido identificada e pega, como para a própria família. Inicialmente, ela achava que iria para a delegacia apenas prestar esclarecimentos. Quando nós informamos que ela seria internada, ela se demonstrou bastante arrependida e disse que era um 'mal-entendido'", explicou a delegada.
'Família ficou chocada', diz delegado sobre adolescente de 13 anos
"A família ficou bem chocada, eles não esperavam pelo acontecimento. O pai relatou que, por trabalhar o dia inteiro, sair de manhã e voltar à noite, tem certa dificuldade nesse controle. Mas orientamos que os pais acionam o controle parental nos aparelhos telefônicos dos filhos, para terem acesso as notificações, e que analisem os celulares diariamente, se for o caso. É uma forma de minimizar esse risco", ressalta o delegado.
"Inicialmente, o adolescente se mostrou resistente, mas ao ser conduzido para a delegacia para prestar esclarecimentos, acompanhado dos responsáveis legais, ele confessou os atos e indicou outros usuários da plataforma", disse.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.



