123milhas: PC identifica movimentações financeiras suspeitas antes de pedido de recuperação
Investigação também quer apurar se 'Promo123' foi criada e operada de forma fraudulenta ou se a empresa sucumbiu por possível má-gestão; 123milhas foi alvo de operação nesta quinta (1º)

O Ministério Público e a Polícia Civil identificaram movimentações financeiras suspeitas em contas do grupo 123milhas nos dias que antecederam a suspensão da ‘Promo123’ e o pedido de recuperação judicial da empresa. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (1º), em coletiva de imprensa sobre a operação realizada horas antes.
Segundo o promotor Rodrigo Storino, a investigação encontrou ‘movimentações financeiras suspeitas, de valores suspeitos e em períodos suspeitos’. Os destinatários desses valores não possuiriam o ‘perfil para movimentar aquelas quantias de dinheiro’. Esses destinatários também serão investigados a partir dos documentos apreendidos hoje. Eles seriam sócios, fornecedores e parceiros do grupo.
Rodrigo explicou que a investigação quer saber se a ‘Promo123’, que era um dos principais produtos da empresa, foi criada e operada de forma fraudulenta. Caso isso seja comprovado, os responsáveis pela empresa podem ser acusados de estelionato, blindagem patrimonial, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Por outro lado, há a possibilidade da promoção simplesmente não ter sido operada da forma correta. Neste caso, ao invés de crime, o problema seria apenas uma possível má-gestão da companhia.
Crise na 123milhas
A agência de viagens 123milhas surpreendeu milhares de clientes no dia 18 de agosto de 2023, após anunciar o cancelamento de pacotes de viagens promocionais, que atraíam muitas pessoas pelo preço baixo. A decisão revoltou clientes e fez a empresa pular rapidamente para o 1º lugar no ranking de empresas mais “denunciadas” do portal ReclameAQUI.
No dia 29 de agosto, a 123milhas um pedido de recuperação judicial na 1ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte, em Minas Gerais. No pedido, a empresa afirma que enfrenta a “pior crise financeira de sua história” e alega que “fatores internos e externos impuseram um aumento considerável de seus passivos nos últimos anos”. O pedido foi aceito pela Justiça no dia 31 de agosto. Confira os detalhes do pedido.
Advogados ouvidos pela Itatiaia afirmam que a empresa não pode oferecer apenas vouchers como forma de reembolso para os clientes e explicam que os consumidores têm o direito ao ressarcimento em dinheiro. Veja quais são os seus direitos.
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Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.
Júlio Vieira é repórter da Itatiaia.




