'Stalkers das rodovias': Polícia investiga esquema de câmeras que monitoram ilegalmente motoristas no DF
Esquema criminoso é apontado como um dos maiores no âmbito do vazamento de dados sigilosos identificado até hoje no Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um esquema de câmeras clandestinas que monitoram as rodovias da capital do país. Em junho de 2023, a corporação prendeu dois hackers especializados na comercialização de dados da população brasileira. Desde então, a PCDF busca a origem do esquema criminoso.
Em nota à Itatiaia, a PCDF informou que 'investigação está em andamento e em momento oportuno dará mais informações'.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) informou que o 'sistema de videomonitoramento coordenado pela pasta utiliza os mais avançados equipamentos e protocolos de segurança cibernética, de modo a garantir a proteção e a integridade dos dados, em total conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)'.
Entenda o caso
Em junho de 2023, a polícia, por intermédio da 9ª DP, deflagrou a Operação RockYou2023, que resultou na prisão de hackers especializados na comercialização de dados sigilosos da população brasileira
O esquema criminoso é apontado como um dos maiores no âmbito do vazamento de dados sigilosos identificado até hoje no país.
As ações são resultado do cumprimento de mandados de prisão temporária, busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e criptomoedas em desfavor dos envolvidos no esquema criminoso.
Além dos mandados, os investigadores cumpriram 'takedown' de website e 'takeover' de servidores com a finalidade de desarticular o grupo criminoso responsável pela venda de informações sigilosas de brasileiros via internet.
Takedown é uma solução completa de monitoramento, detecção que pode resultar na remoção sites piratas. Já o takeover de servidores, é quando as autoridades assumem o serviço da 'empresa-alvo', para fiscalizar a fidelidade em questão.
De acordo com as apurações da polícia, os dados coletados eram utilizados para uma infinidade de fraudes eletrônicas, elaboração de dossiês contra autoridades públicas e violação da intimidade dos cidadãos.
'Valores do crime'
Segundo a PCDF, o acesso ao painel com os dados sigilosos das vítimas era vendido por meio de mensagens instantâneas em apps. O acesso se dava por meio da assinatura de pacotes - 7, 15 ou 30 dias - com valores de R$ 150, R$ 200 e R$ 350, respectivamente.
'Restou comprovado que esses painéis eram a fonte de informação dos criminosos e que, a partir deles, eram selecionadas as vítimas e montados os estratagemas para enganá-las' informou a corporação.
Hackers presos
Em junho de 2023, após um ano de investigações, a equipe da 9ª DP conseguiu identificar os dois hackers responsáveis pelo painel. Os criminosos foram presos pela divulgação de segredo; invasão de dispositivo informático; organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas ultrapassam os 20 anos de reclusão.
A investigação obteve os logs de todos os usuários que haviam comprado acesso ao painel com dados pessoais sigilosos da população e autoridades. 'Essas pessoas também serão objeto de investigação' informou a PCDF.
Após a deflagração da Operação RockYou2023 a polícia busca, desde então, a origem do esquema criminoso, apontado como um dos maiores no âmbito do vazamento de dados sigilosos identificado até hoje no país.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



