Incêndio em prédio abandonado: vizinhança denuncia insegurança há dois meses em BH
Chamas fecharam a Av. Prudente de Morais e Rua Marabá e deixaram moradores idosos desabrigados

O incêndio que atingiu um imóvel comercial abandonado na tarde deste domingo (9), na Rua Marabá, no bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, trouxe à tona um drama que vizinhos denunciam há pelo menos dois meses. As chamas, que exigiram a atuação de sete viaturas do Corpo de Bombeiros e o fechamento temporário da Avenida Prudente de Morais e da rua do prédio, confirmaram os alertas frequentes que a comunidade vinha fazendo ao poder público.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o chamado ocorreu por volta das 16h45. Um homem que estava no imóvel foi resgatado com vida e encaminhado ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Ele informou aos militares que haveria uma segunda pessoa dentro do edifício no momento do incêndio.
Alerta ignorado
Para os moradores dos edifícios vizinhos, o sinistro era uma tragédia anunciada. O médico Sérgio Cordeiro, síndico do prédio localizado logo atrás do imóvel incendiado, revelou que o "entra e sai" no local era diário e que os alertas para as autoridades eram constantes.
"Tem dois meses que nós estamos acionando todas as repartições públicas para ver se nos dão um auxílio. Na sexta-feira à tarde, por exemplo, a vigilância sanitária estava aqui e eu mostrei para eles, da minha janela, que já estavam queimando fios lá dentro. A gente fica totalmente inseguro, porque logo atrás da nossa garagem fica o nosso depósito de gás", contou Sérgio à Itatiaia.
Prédio abandonado pega fogo, mobiliza bombeiros e deixa rua tomada por fumaça em avenida movimentada de BH
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📹 Imagens cedidas à Itatiaia pic.twitter.com/UpjgQp9Ppe— Itatiaia (@itatiaia) August 9, 2026
Desabrigo e risco a moradores idosos
Além do susto e do risco estrutural, o incêndio deixou vizinhos temporariamente desalojados. A fumaça tóxica tomou conta dos apartamentos do entorno, impedindo o retorno das famílias às suas casas na noite deste domingo (9).
A enfermeira obstetra Adelaide Belga, moradora do mesmo edifício de Sérgio, desabafou sobre a sensação de abandono frente às denúncias sem resposta feitas aos órgãos públicos.
"A sensação é de insegurança, de impotência, de tudo. Já fizemos denúncias a todos os órgãos que você imaginar e recorremos até a advogados. Agora estamos aqui sem poder entrar em casa por causa da fumaça. A maioria dos moradores do nosso prédio tem mais de 60 anos, o que aumenta o risco com a inalação de fumaça. Não temos previsão de volta e vou ter que contar com o apoio de familiares para dormir hoje", contou Adelaide Belga à reportagem.
Adelaide concluiu com um apelo às autoridades: "Tenho esperança de que algo seja feito a partir de agora, porque não tem condições de essa situação continuar invisível".
Jornalista em formação pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Integra a equipe da Itatiaia desde 2024 com foco na editoria Minas Gerais.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.




