Belo Horizonte
Itatiaia

Pesquisa indica que grande parte dos brasileiros têm o hábito de dividir compras

Costume pode ser um facilitador para a aquisição de bens, mas também um potencial risco para a saúde financeira

Por
Carteira total de crédito deve ter um crescimento menor em 2026, mas ainda expressivo • Marcello Casal Jr. | Agência Brasil

Uma pesquisa divulgada nessa quinta-feira (26) da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise, revela que os brasileiros têm o hábito de dividir as compras. O levantamento, realizado entre os dias 02 e 10 de janeiro de 2025 com internautas das capitais brasileiras, com idade igual ou superior a 18 anos.

O costume pode ser um facilitador para a aquisição de bens, mas também um potencial risco para a saúde financeira. O levantamento estima que 68,7 milhões de consumidores possuíam contas parceladas em janeiro de 2025.

Isso representa 42% dos entrevistados que tinham prestações a pagar no cartão de crédito, cartão de lojas, crediário e/ou cheque pré-datado no mês anterior à pesquisa. Em média, esses consumidores possuem 4,6 parcelas de compras no crédito, uma leve redução em comparação com 2023.

Cartão de crédito é a principal escolha

O cartão de crédito se destaca como o tipo de crédito mais utilizado nos últimos 12 meses (74%) e como a forma preferida para parcelar compras (69%). O PIX parcelado (25% de uso e 10% de preferência para parcelamento) e o empréstimo pessoal (23% de uso) também figuram entre as modalidades mais recorrentes.

Apesar do hábito marcante entre os brasileiros, houve um declínio de 5 pontos percentuais no financiamento em comparação com 2023. Para os próximos meses, uma parcela significativa dos entrevistados (80%) pretendia realizar compras parceladas, com destaque para eletrônicos (20%), roupas, calçados e acessórios (19%) e eletrodomésticos (18%).

Cautela

Embora o crédito seja bastante popular, 57% dos entrevistados evitaram compras a crédito nos três meses anteriores à pesquisa. O principal motivo apontado por 47% deles é o fato de já possuírem muitos compromissos financeiros a pagar, seguido pelo medo de se desorganizar com o pagamento das parcelas (44%) e pela situação de inadimplência (21%).

Dificuldades no controle financeiro

Um ponto de atenção revelado pela pesquisa é que mais da metade dos entrevistados (52%) não realiza controle do pagamento das compras parceladas. Entre os que controlam (49%), as formas mais comuns são anotações em caderno/agenda/papel (22%) e planilhas no computador (15%). Essa falta de controle pode contribuir para o endividamento, já que 33% dos entrevistados admitiram ter ficado com o nome negativado nos últimos 12 meses devido a compras parceladas não pagas. O cartão de crédito (18%) e empréstimos (8%) foram os principais responsáveis por essa inadimplência.

A pesquisa também demonstrou que o acesso ao crédito parece influenciar significativamente o comportamento de compra. 65% dos entrevistados admitiram ter feito compras por impulso no mês anterior à pesquisa devido à facilidade de crédito, principalmente em itens como vestuário (23%), supermercado (19%) e perfumes/cosméticos (17%). Lojas online e aplicativos são apontados como os principais canais que estimulam o consumo pelo crédito facilitado (46%).

Cuidados ao utilizar o parcelamento como modalidade de pagamento

Apesar dos riscos, 76% dos entrevistados afirmam ter ciência de quanto do seu orçamento está comprometido com o pagamento de prestações. O presidente da CNDL, José César da Costa, ressalta que "o crédito é um importante aliado na hora de adquirir um produto, por meio dele é possível antecipar a compra de bens que, de outro modo, só seriam conquistados depois de longo tempo de poupança. Mas é importante utilizar o crédito com cautela para evitar o endividamento excessivo. A inadimplência no país é muito alta e traz consequências negativas tanto para as famílias, quanto para a economia do país”

Por

Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento