Belo Horizonte
Itatiaia

Paciente é diagnosticado com câncer após transplante de fígado; 'pesadelo', diz esposa

Família denuncia silêncio institucional e pede investigação; Ministério da Saúde afirma que protocolos foram seguidos e monitora o caso

Por
Geraldo Vaz Júnior, de 57 anos, foi diagnosticado com câncer após um transplante de fígado
Geraldo Vaz Júnior, de 57 anos, foi diagnosticado com câncer após um transplante de fígado • Imagens cedidas a Itatiaia

Um erro médico 'gravíssimo', segundo a família de Geraldo Vaz Júnior, de 57 anos, mudou completamente o rumo de suas vidas. Em entrevista à Itatiaia, Maria Helena Vaz, esposa do paciente, explicou que ele foi submetido a um transplante de fígado em 8 de julho de 2023, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, um dos centros de referência em transplantes do país. Meses depois, exames apontaram que o órgão transplantado estava contaminado por um câncer metastático.

“Ou seja, o câncer não era dele, veio do órgão transplantado. O fígado estava contaminado”, relatou Maria Helena. Ela acrescenta que, conforme a legislação brasileira, órgãos com neoplasia metastática devem ser descartados, o que, se confirmado, configura uma violação grave dos protocolos de transplante.

Após o diagnóstico, Geraldo passou por um segundo transplante, em 2 de maio de 2024, mas o corpo rejeitou o novo órgão. Desde então, ele faz tratamento oncológico contínuo, sem perspectiva de cura. “A vida dele se resume hoje a quimioterapias, dores e limitações físicas. Eu deixei meu trabalho e meus estudos para cuidar dele em tempo integral”, lamenta a esposa.

Silêncio e busca por respostas

“Nada foi explicado. Tudo que conseguimos (exames, reuniões, acompanhamento) foi por esforço próprio. O hospital nunca nos procurou para esclarecer o que aconteceu”, denuncia Maria Helena.

Ela e o marido decidiram tornar o caso público “não apenas pela dor pessoal, mas para evitar que outros passem pelo mesmo”. O casal pede atuação dos órgãos de controle, como o Ministério Público, a Anvisa, o Cremesp e o Ministério da Saúde.

“O silêncio institucional não pode ser resposta. Mesmo as instituições mais prestigiadas não estão acima da lei. Queremos justiça, dignidade e responsabilidade”, disse Maria Helena.

O que diz o Ministério da Saúde

Em nota à Itatiaia, o Ministério da Saúde informou que o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) segue protocolos rigorosos de segurança e eficácia, e que o Brasil é considerado referência mundial nesse tipo de procedimento.

A pasta afirmou que, no caso específico, “não foram identificados ou apresentados indícios de qualquer problema de saúde nos exames realizados no doador, incluindo a inspeção nos órgãos e abdômen, análise do histórico médico e entrevista com a família. Todas as normas e parâmetros internacionais foram cumpridos.”

O ministério também comunicou que determinou o acompanhamento de saúde do paciente e está monitorando o caso junto à Central Estadual de Transplantes e ao hospital responsável. Ainda segundo a nota, “os exames não são conclusivos sobre a relação causal, que exige uma análise minuciosa.”

O órgão informou ainda que todas as informações do caso estão sendo compartilhadas com a vigilância sanitária local, responsável pela apuração.

Hospital Albert Einstein

A reportagem entrou em contato com o Hospital Israelita Albert Einstein para solicitar posicionamento sobre as alegações da família, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Por

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.