Novo conselho eleito para o CFM inclui médicos contra o aborto e a favor da cloroquina
Lista ainda inclui médica que comemorou atos golpistas do 8 de janeiro; resultado foi divulgado nesta quinta (8)

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou, nesta quinta-feira (8), os nomes dos conselheiros eleitos para atuar na entidade nos próximos cinco anos. A lista também inclui profissionais que defenderam o uso de cloroquina como tratamento da Covid-19 e uma médica que comemorou os atos golpistas do 8 de janeiro.
Dos 27 conselheiros eleitos, pelo menos nove se posicionam abertamente contra o aborto e a favor da norma do CFM que proíbe os médicos de realizarem a assistolia fetal, mesmo em casos de abortos previstos em lei, como os decorrentes de estupro.
A assistolia fetal é um procedimento que consiste na injeção de produtos químicos no feto para evitar que ele nasça com sinais de vida. Após a injeção, ele é retirado do útero da mulher.
Ele é indicado para o aborto legal de fetos com mais de 22 semanas, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o procedimento chegou a ser proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), mas a decisão foi suspensa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Defesa da cloroquina e atos golpistas
Além dos médicos que são contrários ao aborto, mesmo em casos amparados pela lei, a lista de eleitos inclui outras condutas problemáticas. A médica eleita pelo Distrito Federal, Rosylane Rocha comemorou os atos golpistas do 8 de janeiro nas redes sociais. Após as publicações, ela foi alvo de um processo administrativo para apurar a conduta da profissional.
Em São Paulo, o conselheiro eleito é o médico infectologista Francisco Eduardo Cardoso Alves, que defendeu a cloroquina durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, em 2021.
No Mato Grosso do Sul, o médico Mauro Luiz de Britto Ribeiro foi reeleito ao cargo. Ele estava a frente do CFM no estado durante a pandemia e foi duramente criticado na época. EM 2021, o Ministério Público Federal investigou o CFM-MS por apoiar o chamado "kit Covid", composto por remédios como a cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina. Ele também foi citado na CPI da Covid.
Em Minas Gerais, o eleito foi o médico anestesista Alexandre de Menezes Rodrigues. Em uma publicação no Instagram, o profissional compartilha a decisão do CFM em proibir a assistolia fetal. "O CFM expressou preocupação com a possibilidade de abortos em bebês completamente formados e prontos para o nascimento, que, segundo o texto, poderiam ser realizados por médicos, transformando o infanticídio em ato médico, o que consideram inadmissível", escreveu.
Veja os conselheiros eleitos em cada estado:
- Acre: Dilza Teresinha Ambros Ribeiro
- Alagoas: Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti
- Amapá: Eduardo Monteiro De Jesus
- Amazonas: Ademar Carlos Augusto
- Bahia: Maíra Pereira Dantas
- Ceará: José Albertino Souza
- Espírito: Carlos Magno Pretti Dalapicola
- Goiás: Waldemar Naves Do Amaral
- Maranhão: Nailton Jorge Ferreira Lyra
- Mato Grosso: Diogo Leite Sampaio
- Mato Grosso do Sul: Mauro Luiz De Britto Ribeiro
- Minas Gerais: Alexandre De Menezes Rodrigues
- Pará: Hideraldo Luis Souza Cabeca
- Paraíba: Bruno Leandro De Souza
- Paraná: Alcindo Cerci Neto
- Pernambuco: Eduardo Jorge Da Fonsêca Lima
- Piauí: Yáscara Pinheiro Lages Pinto
- Rio de Janeiro: Raphael Camara Medeiros Parente
- Rio Grande do Norte: Jeancarlo Fernandes Cavalcante
- Rio Grande do Sul: Carlos Orlando Pasqualotto Fett Sparta De Souza
- Rondônia: José Hiran Da Silva Gallo
- Roraima: Domingos Sávio Matos Dantas
- Santa Catarina: Graziela Schmitz Bonin
- São Paulo: Francisco Eduardo Cardoso Alves
- Sergipe: José Elerton Secioso De Aboim
- Tocantins: Estevam Rivello Alves
- Distrito Federal: Rosylane Nascimento Das Mercês Rocha
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


