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'Você pode me dar 50 anos, mas eu vou matar ela', diz homem a irmã da ex que ele assassinou

Já condenado por matar a ex-mulher, homem vai a novo júri no Recife, quando fez a 'promessa', no tribunal, de assassinar a ex-cunhada

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Jorge Bezerra da Silva matou a ex-mulher, Priscilla Monnick Laurindo da Silva • Reprodução/TV Globo

O feminicida Jorge Bezerra da Silva, condenado a 29 anos e 8 meses de prisão por matar a ex-mulher, a cabeleireira Priscilla Monnick Laurindo da Silva, enfrenta novo banco dos réus nesta quarta-feira (3), no Fórum Thomaz de Aquino, no Centro do Recife, em Pernambuco. Desta vez, o julgamento é por uma tentativa de homicídio contra a mesma vítima, ocorrida meses antes do assassinato.

 Assim como no primeiro júri, em 2025, quando foi retirado da sessão após ameaçar o promotor de Justiça e a ex-cunhada, Jorge intimidou novamente os familiares de Priscilla diante da sessão. "Você pode me dar 50 anos, mas eu vou matar ela", disparou o réu no tribunal, referindo-se à irmã da vítima.

O crime em julgamento

O processo atual trata de um ataque violento ocorrido em 10 de abril de 2021. Na época, Priscilla já tinha medida protetiva contra Jorge, que utilizava tornozeleira eletrônica. O agressor rompeu o equipamento de monitoramento, violou a ordem judicial e invadiu a casa da mãe da vítima.

Priscilla foi surpreendida enquanto segurava a filha do casal, uma bebê recém-nascida, nos braços. Jorge tentou esfaquear a ex-companheira e chegou a direcionar um dos golpes contra a própria filha. A mãe colocou a mão na frente para proteger a bebê, que sofreu apenas arranhões, enquanto Priscilla teve ferimentos graves.

O ataque só não foi fatal porque a irmã de Priscilla, que na época era adolescente e estava escondida em um quarto, começou a gritar desesperadamente por socorro. Assustado com a reação e com medo de ser preso, Jorge fugiu do local, deixando o capacete da moto para trás.

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O feminicídio em 2022

Meses após sobreviver à primeira tentativa, Priscilla foi assassinada por Jorge em janeiro de 2022, na casa onde moravam no bairro do Zumbi, Zona Oeste do Recife. Ele a esfaqueou no pescoço e a asfixiou por não aceitar o fim do relacionamento.

Após o crime, ele deixou a filha do casal com os próprios pais e desapareceu. Foi o pai do criminoso quem encontrou o corpo de Priscilla em cima da cama. O assassino permaneceu foragido por oito meses antes de ser capturado.

Família vive sob constante medo

Atualmente, a filha de Priscilla é criada pela avó materna, Joceane Paulino, que relatou a dor e o medo constante que assolam a família.

"Estou lutando por justiça. Quem perdeu minha filha fui eu. Sei que nada traz ela de volta, mas ele tem que pagar. Esse homem tem que estar longe da sociedade. Tenho outra filha já ameaçada por ele e ele é capaz de fazer", desabafou a mãe de Priscilla.

De acordo com a acusação, liderada pelo promotor Bruno Santacatharina, uma nova condenação fará com que Jorge Bezerra da Silva perca importantes benefícios penais, inviabilizando pedidos futuros de saídas temporárias ou progressão de regime.

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