Bacabal-MA: como as crianças sumiram e qual o papel da Interpol nas buscas
Movimento acontece após Polícia Federal confirmar que não há brasileiros entre as 163 crianças localizadas nos EUA

Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidos desde 4 de janeiro deste ano, quando sumiram na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Mais de oito meses depois, as buscas passaram a contar com ferramentas da Interpol.
A possibilidade de os irmãos estarem fora do Brasil ganhou força após a família ter acesso a imagens de uma criança localizada nos Estados Unidos que, segundo a advogada dos familiares, poderia ser Allan. A semelhança levantou a suspeita, mas a Polícia Federal (PF) informou que nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas durante a operação.
A corporação também esclareceu que não havia, até então, nenhum pedido de cooperação internacional relacionado a crianças maranhenses desaparecidas que tivessem sido encontradas nos EUA.
Relembre o caso
4 de janeiro: Agatha Isabelly, Allan Michel e o primo deles, Anderson Kauã, desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, após saírem para brincar nas proximidades da residência da avó. O primeiro avanço concreto ocorreu três dias após o desaparecimento, quando Anderson Kauã foi localizado com vida.
Em 2 setembro, operação nos Estados Unidos localiza 163 crianças desaparecidas. A notícia levantar a suspeita de que Ágatha e Allan pudessem estar entre elas. Quando uma criança desaparecida é localizada, um advogado ou órgão federal pode solicitar à Interpol uma verificação para saber se ela corresponde a uma pessoa desaparecida no Brasil.
Na terça-feira (8), a prefeitura de Bacabal encaminhou uma solicitação à Polícia Federal após tomar conhecimento da operação americana. O município pediu que fossem cruzados, por meio dos canais de cooperação com a Interpol e autoridades dos Estados Unidos, fotos e dados de Ágatha e Allan com os das crianças encontradas na Flórida.
A advogada da família divulgou, então, por meio de um vídeo nas redes sociais, que a Interpol colocou ferramentas de cooperação internacional à disposição das autoridades, que poderão ser utilizadas caso surjam informações de que os irmãos estejam fora do Brasil.
"[A Interpol] ajuda tanto na busca das crianças quanto na repatriação, caso elas sejam encontradas em outros países", afirmou Nathaly.
Em outro vídeo, a advogada Nathaly explicou a importância de inserir os irmãos nas categorias amarela e azul da Interpol. Ela detalhou que o alerta amarelo é destinado à busca por desaparecidos, ao passo que o azul permite levantar dados sobre pessoas procuradas em apurações oficiais.
Mesmo sem confirmação, até aquele momento, de que a criança localizada nos Estados Unidos seja Allan, a mãe dos irmãos, Clarice Cardoso, forneceu material genético à Polícia Federal nessa quarta-feira (9).
A amostra será encaminhada ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, onde será elaborado o perfil genético da mãe. O material será inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos e poderá ser utilizado em futuras comparações, inclusive por meio da cooperação com a Interpol.
O exame é considerado fundamental para esclarecer se existe ou não correspondência genética entre Clarice e a criança localizada nos Estados Unidos.
Na noite desta quarta-feira, porém, a Polícia Federal informou que nenhuma criança brasileira estava entre as 163 localizadas pelas autoridades da Flórida durante a operação.
A Polícia Civil do Maranhão reforçou que o acionamento dos mecanismos internacionais não significa que os irmãos tenham sido levados para fora do Brasil.
Falta de documentos dificulta identificação
Outro obstáculo apontado pela advogada é a falta de documentos de identificação dos irmãos, o que dificultou a inclusão de informações sobre eles em bases de dados oficiais e, consequentemente, a identificação diante de possíveis crianças localizadas.
A prefeitura de Bacabal reiterou seu compromisso com as investigações e com as buscas pelos irmãos. Além do suporte contínuo à mãe e aos familiares, o município mantém assistência social e psicológica aos moradores da comunidade de São Sebastião dos Pretos.
Informações que possam ajudar na localização dos irmãos podem ser repassadas ao Disque-Denúncia, pelo número 181.
Com informações de Estadão Conteúdo
Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.



