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Justiça revoga prisão de João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi

Homem estava preso desde 22 de setembro, investigado por suspeita de violência psicológica e indução ao suicídio da estudante de direito de 22 anos

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Isabelle Caracristi
João Munhoz Neto e Isabelle Caracristi • Reprodução | Redes Sociais

A Justiça do Ceará revogou nesta quarta-feira (1º) a prisão preventiva de João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado de Isabelle Caracristi, jovem que foi encontrada morta em um condomínio de Fortaleza em 13 de setembro.

A decisão ocorreu após um parecer favorável do Ministério Público do Ceará à soltura, mas estabeleceu medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 7h, e proibição de contato com familiares da estudante e testemunhas do caso. João Munhoz também não pode deixar Fortaleza.

O homem estava preso preventivamente desde 22 de setembro e é investigado por suspeita de violência psicológica e indução ao suicídio. A investigação tramita sob sigilo. Segundo a Polícia Civil, a apuração continua, inclusive com análise de dispositivos eletrônicos e centenas de imagens de câmeras de segurança.

Morte de Isabelle

Isabelle Caracristi tinha 22 anos e cursava Direito. Ela havia começado um estágio em um escritório de advocacia em julho, onde conheceu João Munhoz. Segundo relatos reunidos pela Polícia Civil, o relacionamento começou pouco tempo depois e, em agosto, a jovem passou a morar com o namorado e familiares dele.

Na noite de 13 de setembro, Isabelle estava no condomínio onde morava com João, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Imagens de segurança mostram a estudante entrando no prédio pouco antes das 18h e, cerca de uma hora depois, seguindo sozinha para o rooftop, no 23º andar. Por volta das 20h40, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, ocorreu a queda que provocou a morte.

O laudo necroscópico apontou politraumatismo causado pelo impacto da queda. Os exames toxicológicos não identificaram substâncias no organismo da estudante, e os peritos não encontraram sinais prévios de agressão física ou de luta corporal. A conclusão apresentada pela Perícia Forense foi de “precipitação voluntária”, termo utilizado para indicar que a queda teria sido voluntária.

Apesar dessa conclusão pericial, a Polícia Civil informou que outras possibilidades não foram completamente descartadas e manteve a investigação sobre as circunstâncias que antecederam a morte. Mais de 700 vídeos de câmeras do condomínio e de áreas próximas estão sendo analisados.

Investigação sobre o namorado

A investigação passou a se concentrar também na relação entre Isabelle e João. Segundo a Polícia Civil, depoimentos apontaram comportamento controlador e violência psicológica. Um responsável pelo escritório onde os dois trabalhavam relatou que Isabelle teria dito se sentir “sufocada” pelo namorado e que ele restringia sua atuação profissional. Ela deixou o estágio cerca de 20 dias depois de começar.

A Polícia Civil também apontou comportamentos de João após a morte da estudante que passaram a ser analisados na investigação. Segundo os investigadores, ele teria retornado ao condomínio no dia seguinte para procurar o celular de Isabelle, embora o aparelho tenha sido encontrado no bolso da roupa que ela usava. A polícia também informou que familiares da jovem teriam sido impedidos de entrar no prédio.

Outro ponto investigado foi o apartamento onde o casal morava. Segundo a polícia, o imóvel foi limpo e posteriormente colocado à venda. Em depoimento mais recente, porém, a diarista esclareceu que não realizou a limpeza da cena e deixou o local ao saber da morte de Isabelle.

Prisão e soltura

Após a morte da jovem, João Munhoz foi preso preventivamente. Na ocasião, a Polícia Civil informou que a medida tinha relação com a investigação sobre possível indução ao suicídio e ameaça. A prisão foi mantida em audiência de custódia. A defesa contestou a prisão e afirmou que João havia comparecido voluntariamente à delegacia para prestar esclarecimentos e entregue o celular para perícia.

No dia 30 de setembro, o Ministério Público do Ceará se manifestou favoravelmente à liberdade, mas pediu a aplicação de medidas cautelares por seis meses. A Justiça acolheu a soltura nesta quinta-feira (1º), mantendo restrições ao investigado.

A Polícia Civil ainda analisa os aparelhos eletrônicos apreendidos e as imagens de segurança, enquanto testemunhas continuam sendo ouvidas. Até o momento, a investigação já contabiliza dezenas de depoimentos e laudos periciais.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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