Polícia prende suspeito de vender bebida com metanol na Bahia; estado registra uma morte

Homem foi detido nesta segunda-feira (5), na cidade de Feira de Santana; intoxicações causaram uma morte e outras seis internações

A Polícia Civil da Bahia (PCBA) prendeu, nesta segunda-feira (5), na cidade de Feira de Santana, um homem suspeito de comercializar bebidas alcoólicas adulteradas com metanol no estado.

O homem foi preso em meio a uma onda de casos em Ribeira do Pombal, na região Nordeste da Bahia, cidade que registrou uma morte e outras seis internações por intoxicação com metanol na última semana.

Depois de cinco dias internado, Vinícius Oliveira Vieira, de 31 anos, morreu nesta sexta-feira (2). A vítima havia sido transferida para o Instituto Couto Maia, unidade de referência para esse tipo de atendimento, em Salvador, devido a gravidade do seu quadro clínico, mas não resistiu.

Leia também

Além dele, outras seis pessoas foram internadas inicialmente no Hospital Geral Santa Tereza, em Ribeira do Pombal, no domingo (28). Dentre as vítimas, quatro receberam alta médica e outras duas também precisaram ser transferidas para o Instituto Couto Maia, na capital baiana, onde seguem internadas em estado grave.

Segundo informações divulgadas pela “TV Bahia”, as vítimas teriam passado mal após consumirem drinks preparados com vodka durante a celebração de uma festa de noivado na cidade.

Já Vinícius Oliveira Vieira, vítima que faleceu após a ingestão da substância tóxica, ainda segundo apuração do canal baiano, teria consumido vodka no dia anterior ao evento, em uma ocasião distinta aos demais.

A confirmação dos primeiros casos de intoxicação por metanol na Bahia aconteceu em 31 de dezembro de 2025, após um laudo pericial emitido pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) constatar a presença da substância em bebidas alcoólicas apreendidas na cidade de Ribeira do Pombal e nas amostras de sangue dos sete pacientes que foram internados sob suspeita.

A Polícia Civil, junto com a Vigilância Sanitária Municipal, localizou o estabelecimento que teria sido responsável pela venda da vodka infectada e realizou a interdição do local. Também conforme apuração da TV Bahia, outros dois estabelecimentos da cidade tiveram bebidas apreendidas.

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) divulgou uma nota em relação aos casos registrados. Segundo a pasta, outros oito casos de intoxicação por metanol foram notificados como suspeitos no estado, mas foram descartados após investigação. Confira:

“A Bahia não registrou novos casos de intoxicação por metanol. Além dos sete casos confirmados, em Ribeira do Pombal, outros oito foram notificados como suspeitos no estado, mas já foram descartados, após investigação. A Secretaria da Saúde do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde e com as secretarias municipais de saúde, está desenvolvendo ações de vigilância à saúde e no reforço de conscientização e cuidados preventivos à população, a fim de evitar novos casos.”

Crise do Metanol

Após o início da crise de metanol, com o surto de bebidas falsificadas no país a partir de setembro do ano passado, o Ministério da Saúde criou uma Sala de Situação Nacional para monitoramento dos casos, encerrada no início de dezembro.

Ao todo, foram 73 casos de intoxicação pela substância confirmados, com 22 mortes constatadas durante o período, segundo portaria assinada pelo ministro da pasta, Alexandre Padilha.

O metanol, também conhecido como álcool metílico, é um solvente utilizado na produção de solventes e combustíveis, porém, quando consumido, é transformado em ácido fórmico pelo organismo.

Os sintomas iniciais da ingestão podem ser dor de cabeça, tontura e náuseas e podem progredir até taquicardia, confusão mental e alterações na visão

A fim de evitar o consumo inadequado de metanol, o Ministério da Saúde publicou uma lista de orientações:

  • Evite bebidas de origem duvidosa. Sempre prefira produtos com selo fiscal e rótulo, comprados em estabelecimentos confiáveis;
  • Não consuma bebidas caseiras ou sem registro, especialmente em eventos ou comemorações;
  • Fique atento a embalagens sem lacre, abertas ou alteradas;
  • Lembre-se: o metanol não tem cheiro, cor ou sabor diferente do álcool comum, o que torna quase impossível identificá-lo apenas pelo paladar;

*Sob supervisão de Edu Oliveira

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Ouvindo...