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MP aponta relação 'estreita' entre presidente da Câmara de SP e empresa ligada ao PCC

Segundo as investigações, o vereador Milton Leite (União Brasil) tem relação próxima com a alta cúpula da Transwolff, empresa de ônibus acusada de lavar dinheiro para o PCC; ele nega as acusações

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O vereador Milton Leite (União Brasil), presidente da Câmara Municipal da capital, é investigado pelo MPSP • Lucas Bassi / Rede Câmara

Documentos do Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelam uma relação "estreita" entre o vereador Milton Leite (União Brasil), presidente da Câmara Municipal da capital, e uma empresa acusada de ser ligada ao grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).

As mais de mil páginas da investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, obtidas com exclusividade pelo UOL, mostram uma "relação de apoio" entre Leite e a empresa de ônibus Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC.

Outro e-mail, de 2021, mostra uma conversa entre uma assistente parlamentar e Cícero de Oliveira, o "Té", sócio da Transwolff. A mensagem indica que funcionários da empresa de ônibus estariam prestando serviço para o gabinete de Leite.

Té também conversou com uma pessoa, que o chama de "tio", para pedir que o dirigente da Transwolff conseguisse ingressos para o Carnaval de São Paulo junto ao vereador.

Além disso, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também cita a Neumax, empresa de Leite, em movimentações de dinheiro vivo feitas por "Pandora". O vereador ainda é apontado como chefe da Cooperpam, cooperativa de vans denunciada por extorsão e abusos contra os motoristas em 2006. Como mais uma prova da ligação entre Leite e a Transwolff, o MP cita que empresa assumiu a Cooperpam em 2015.

O que dizem os acusados

Ao UOL, Milton Leite afirmou, via assessoria de imprensa da Câmara, que desconhece as acusações do Ministério Público. "Fato é que desconheço qualquer tipo de relação das pessoas mencionadas na reportagem com os crimes que lhes são imputados e a própria Justiça, que já determinou a soltura do presidente da empresa Transwolff [Pandora], entendeu não haver motivos para mantê-lo preso", afirmou.

O Presidente da Câmara não comentou sobre as mensagens entre ele e a cúpula da Transwolff, mas negou que haja uma relação de proximidade. Leite afirma que conversa com todos os empresários do setor, sem distinção.

"É minha a lei que possibilitou a legalização das cooperativas em São Paulo. Nesse sentido, sempre conversei com todos os empresários do setor, buscando sempre a troca de informações para o engrandecimento do segmento, independentemente do tamanho de cada empresa" disse.

Leite também negou "movimentação em dinheiro" entre a sua construtora, a Neumax, e Pandora. Ele afirmou que irá colocar novamente seus "dados [bancários] à disposição do Ministério Público".

Também ao UOL, o advogado de defesa de Pandora, Roberto Vasco Teixeira Leite, diz que desconhece a relação entre o cliente e Leite. Ele também afirma que Pandora "não possui nenhum vínculo com o crime organizado".

Já o advogado de Té, Matheus Rodrigues, comenta que a relação entre Leite e a Transwolff é "meramente institucional", e também negou o envolvimento da empresa com o PCC.

A Itatiaia entrou em contato com o vereador Milton Leite e com a Transwolff, e aguarda resposta.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.