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Médico que realizou hidrolipo em mulher que morreu em SP responde a mais de 20 processos

Ações contra Josias Caetano dos Santos foram feitas após erros médicos; a clínica onde Paloma Lopes, de 31 anos, morreu foi autuada e interditada

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Josias Caetano dos Santos, cirurgião plástico que realizou uma hidrolipo em Paloma Lopes, de 31 anos, que morreu após o procedimento, na zona leste de São Paulo na última terça-feira (26), responde a pelo menos 22 processos na Justiça paulista por erros médicos.

Há casos, inclusive, de mulheres mutiladas e com grandes cicatrizes. A maioria dos casos aconteceu entre 2018 e 2021. O advogado que representa as vítimas, José Beraldo, informou que fez denúncias ao Cremesp, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, mas disse que a maioria dos casos foi arquivado.

Na Justiça de São Paulo, os processos estão em andamento. As denunciantes estão na fase da perícia judicial. As audiências, agendadas para 2025, serão realizadas no Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo para provar os danos decorrentes dos procedimentos.

Nesta quarta-feira (27), a clínica estética Maná Day, onde Paloma morreu após passar mal durante um procedimento de hidrolipo, foi autuada e totalmente interditada pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde, da Prefeitura de São Paulo. Segundo o órgão, a Maná Day exercia atividade irregular, já que não possuía a licença sanitária necessária para realizar procedimentos invasivos, como lipoaspirações.

Em nota enviada à Itatiaia, a defesa de Josias Ceateno dos Santos, através da LJ Advocacia, deu a versão do ocorrido:

NOTA NA ÍNTEGRA

Inicialmente, o Dr. Josias Caetano dos Santos (CRM-SP 82.115, RQE nº 27.115) e a sua equipe jurídica manifestam o seu pesar pelo falecimento da Sra. Paloma Lopes Alves. Nesse momento de luto, prestamos nossa solidariedade aos seus entes queridos e nossos votos de conforto e força para que possam passar por este momento tão difícil. Conforme vem sendo noticiado pela imprensa, a Sra. Paloma veio a óbito no início da noite de ontem (26/11/2024), possivelmente, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória de causa ainda não determinada pelas autoridades competentes, sendo que, diante da ampla cobertura midiática, imperioso se faz que o médico preste esclarecimentos sobre a sua atuação no caso, de modo a evitar que informações inverídicas (Fake News) sejam propagadas.

A Sra. Paloma buscou o atendimento de uma clínica especializada em procedimentos estéticos, onde relatou sua vontade de se submeter a cirurgia na região do abdômen e das costas para a retirada de gordura. O Dr. Josias Caetano dos Santos, que não é dono da referida clínica, quiçá integra o quadro societário ou tem qualquer conhecimento ou autoridade sobre a sua administração, atua como um prestador de serviços médicos para a clínica, como pessoa jurídica, tendo sido designado para atender a paciente diante de sua expertise de 25 anos como cirurgião plástico, tendo a formação e especialização de cirurgião plástico devidamente registrada no CRM, sendo que nunca foi condenado por condutas antiéticas frente a este órgão. O atendimento pré-operatório da paciente se deu através de consultas por telemedicina 1 , nas quais ela manifestou os seus desejos e, diante destes, o médico foi capaz de definir qual o procedimento ideal para atingi-los.

Nestas consultas, o Dr. Josias solicitou uma série de exames 2 para averiguar se a paciente reunia as condições essenciais para passar pelo procedimento, bem como traçou o plano cirúrgico e procedeu com as explicações necessárias para que a paciente tivesse ciência de como seria a cirurgia, os riscos inerentes a ela e todos os cuidados que deveriam ser observados. Destaca-se que a literatura médica já esclareceu que as consultas pré e pós-cirúrgicas podem ser feitas à distância, usando a telemedicina 3 .

Muito bem, considerando que os exames pré-operatórios da paciente não revelaram qualquer alteração ou condição que obstasse a sua realização, foi marcada a data para que ela pudesse ser submetida ao procedimento de hidrolipo – que é uma das técnicas disponíveis para realizar a lipoaspiração 4 , isto é, trata-se de uma lipoaspiração indicada para pacientes que tenham pouca gordura localizada e sem flacidez associada 5 , como era o caso da Sra. Paloma.

A cirurgia aconteceu na manhã do dia 26/11/2024 de maneira exímia, não tendo havido qualquer adversidade durante a cirurgia. Após, como é padrão em todo pós-cirúrgico imediato, a paciente foi levada para uma sala de recuperação pós-operatória, onde deveria se recuperar da anestesia para receber alta em breve. Todavia, pouco tempo depois de ser transferida do centro cirúrgico para a ala de recuperação pós-operatória, a Sra. Paloma começou a sofrer com uma angústia respiratória, o que foi rapidamente comunicado ao médico pela equipe que a monitorava. A situação da paciente piorou rapidamente e evoluiu para uma parada cardiorrespiratória (PCR), razão pela qual o Dr. Josias e a sua equipe médica iniciaram o processo de reanimação cardiopulmonar (RCP) para tentar reverter o quadro.

Uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel (SAMU) foi chamada para atender a ocorrência pela clínica, sendo que, quando a unidade chegou ao local, a Sra. Paloma estava viva, claramente com sinais vitais ainda fracos dada a situação, mas, ao que tudo indicava, os esforços da equipe médica naquele momento tinham sido frutíferos em suprir a falta de oxigênio e não ter uma morte no local. Independentemente da causa, quando um indivíduo é acometido de uma parada cardiorrespiratória, enquanto a circulação espontânea não retorna, acontecem as chamadas hipoxemia e lesão isquêmica, que podem causar uma série de comorbidades no paciente. Assim, é essencial o manejo deste para um ambiente hospitalar capacitado para identificar e tratar a(s) causa(s) da PCR, minimizar as lesões nos órgãos-alvo, otimizar a função cardiopulmonar e garantir normalizar a perfusão de órgãos vitais.

Tendo isso em mente, a paciente foi rapidamente removida para um hospital maior – ao que tudo indica, para o Hospital Municipal do Tatuapé – com vida, porém, infelizmente, consoante ao que vem sendo veiculado na imprensa, a Sra. Paloma foi acometida de outra parada cardiorrespiratória e não resistiu. Pontua-se que o Sr. Everton Reigiota, marido da Sra. Paloma, estava presente na clínica, pois era o seu acompanhante, e foi comunicado de todos os avanços do procedimento, bem como sobre os sintomas que ela manifestou na sala de recuperação pós-operatória, tendo o médico Josias acompanhado todo o processo de reanimação da Sra. Paloma.

A situação demandava emergência, sendo que o marido foi informado de forma rápida e eficaz. Deve-se ressaltar que o Dr. Josias Caetano em nenhum momento largou a paciente, pelo contrário, ele foi o primeiro a realizar os procedimentos de reanimação, não largando-a até a saída do hospital dia (Maná). O médico que o acompanhou na ambulância foi o anestesista, pois este profissional é especialista com intercorrências que podem ocorrer durante a cirurgia, sendo o médico responsável pela sedação e aplicação de outras drogas. O Dr. Josias não identificou nenhuma conduta inapropriada do anestesista.

Segundo testemunhas, após o óbito da paciente, o seu marido que a acompanhava, se exaltou e começou a acusar os membros da equipe médica de matar sua mulher, situação que forçou a saída do local da equipe médica. Após a morte da paciente, diante da tristeza de todos os envolvidos, era impossível continuar as atividades no hospital dia (Maná). Em nenhum momento as provas foram suprimidas ou houve evasão pelos responsáveis, sendo certo que no dia de hoje 27/11/2024, os responsáveis pelo hospital dia (Maná) abriram o local para as autoridades competentes fazerem as perícias e procedimentos no local. Após todo o ocorrido, o advogado do Dr. Josias foi contactado, sendo que foi enviado uma mensagem no instagram do marido da paciente informando que o Dr. sentia muito pelo ocorrido e que iria responder às acusações, prestando todas as informações aos veículos de imprensa e órgãos públicos.

Respeitamos o desejo de esclarecimento e justiça do marido da paciente, sendo que contribuiremos para que tudo seja investigado e apurado, sendo certo que comprovaremos a nossa inocência. Esta nota de imprensa só foi confeccionada no dia de hoje (27/11/2024 - um dia após o óbito), pois o Dr. Josias e seu advogado foram procurados por diversos veículos de imprensa, atendendo todos que os procuraram. Foram feitas entrevistas na madrugada do dia 27 e durante todo o dia, sendo certo que o advogado e médico necessitava de tempo para a aprovação da nota que somente foi possível à noite.

A causa da PCR ainda não foi confirmada pelo Instituto Médico Legal (IML), mas, ao que parece, em análise aos sintomas apresentados pela Sra. Paloma, percebe-se que ela poderia ter sofrido um tromboembolismo pulmonar (TEP) – também chamada apenas de embolia pulmonar (EP) –, que acontece quando um coágulo de sangue, ou outras substâncias, formam êmbolos e bloqueia uma artéria. 7 A embolia pulmonar é uma das tantas intercorrências pós-operatórias previstas pela literatura médica, principalmente após a lipoaspiração, conforme pode-se verificar, também, na lista de “possíveis riscos da cirurgia” no site oficial da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Em um amplo estudo realizado em 2000, verificou-se que a taxa de mortalidade em lipoaspirações era de 19,1 para cada 100.000 pessoas 8 . A incidência anual estimada de embolia pulmonar, em todo o mundo, é de aproximadamente 1 por 1.000 pessoas 9 . A ocorrência do tromboembolismo pulmonar, após uma cirurgia, não está necessariamente relacionada à técnica empregada pelo cirurgião durante o procedimento, mas a diversos outros fatores.

De acordo com a literatura médica, são inúmeros os fatores que podem culminar na TEP, tais como: a cirurgia em si – especialmente as abdominais e de lipoaspiração –, a imobilização prolongada, os fatores de risco individuais (tabagismo, câncer, uso de contraceptivos orais, doenças autoimunes), entre outros. 10 No contexto das cirurgias plásticas, a TEP, embora não seja tão comum quanto outras intercorrências, pode acontecer, razão pela qual o médico explicou para a paciente que adversidades graves, como estas, poderiam vir a acometê-la, tendo a Sra. Paloma assinado um termo de consentimento evidenciando estar ciente dos riscos do procedimento. O termo assinado obtinha a seguinte previsão: “Complicações pulmonares: Podem ocorrer secundariamente à liberação, na corrente sanguínea de coágulos de gordura (embolia pulmonar) ou após uma anestesia. Nestes casos, pode ser necessário a hospitalização por um tempo mais prolongado. A embolia pulmonar pode levar a óbito”.

Imperioso destacar que é dever 11 ético e legal do cirurgião informar todos os riscos inerentes ao procedimento cirúrgico para a paciente, a fim de cientificá-la das adversidades que podem vir a afetar sua saúde, bem como expor que a cirurgia pode não performar da forma esperada, independentemente da observância dos ditames da profissão e do emprego da devida técnica cirúrgica, podendo levá-la a morte. Claro que nunca se espera que algo assim aconteça, principalmente quando o percentual de ocorrência de TEP é ínfimo em comparação com os casos em que os resultados da cirurgia são satisfatório sem que a paciente sofra qualquer intercorrência, por isso, a sociedade deve compreender e, em hipótese alguma, julgar a paciente por ter optado se submeter ao procedimento sabendo dos riscos, porque, cientificamente, o óbito era uma exceção, mas que, infelizmente, veio a ocorrer no caso em evidência. Por isso posto, vem o Dr. Josias Caetano dos Santos, cirurgião plástico formado pela Universidade de São Paulo, com mais de 25 anos de experiência, através desta nota, manifestar o seu pesar quanto ao falecimento da Sra. Paloma, bem como reiterar que as circunstâncias de seu óbito não guardam relação com o emprego da técnica médica, o que será demonstrado em momento oportuno, quando as autoridades competentes apurarem o ocorrido.

Adianta-se que já entregou-se os documentos médicos da paciente para o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), mas que, por razões éticas, somente trará ao conhecimento da imprensa qualquer documento da Sra. Paloma mediante a autorização de seu marido, Sr. Everton. Pedimos encarecidamente que os familiares autorizem a divulgação destes documentos, assim como resultados periciais que absolvam o médico para a correta compreensão da opinião pública. No mais, autoriza a veiculação da presente nota de esclarecimento nos veículos midiáticos, porém, pede que sejam concedidas à acusação e à defesa as mesmas oportunidades de se manifestar, isto é, em caso de entrevista concedida pela parte contrária, pugna que o mesmo espaço seja dado para o médico e os seus representantes legais, visando o cumprimento do direito constitucional de resposta (artigo 5º, inciso V da Constituição Federal) de forma perfeita.

Contamos com a colaboração da imprensa para evitar a propagação de notícias falsas a respeito do Dr. Josias Caetano dos Santos e outros envolvidos. Solicitamos, portanto, que não sejam veiculadas outras reportagens antes de prestados os esclarecimentos devidos, assim como, a necessária investigação, após esse relato, dos jornalistas envolvidos. O Dr. Josias, bem como a sua equipe jurídica, se coloca à disposição para prestar todos os esclarecimentos que forem necessários para as autoridades competentes, bem como para a imprensa.

NOTA CREMESP

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.