Médica sequestra bebê em MG: relembre outros casos de crianças vítimas no Brasil
Caso mais recente aconteceu nessa terça-feira (23), em Uberlândia, Minas Gerais; caso Pedrinho, Matheus Almeida e outros, voltaram a tona

Após uma recém-nascida ser sequestrada pela médica Claudia Soares Alves, de 42 anos, que se passou por pediatra, o termo sequestro de bebês ganhou destaque nas redes sociais. O caso mais recente, aconteceu na noite dessa terça-feira (23), no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
A suspeita, foi presa em Goiânia (GO), e autuada em flagrante por sequestro qualificado. O recém-nascido foi devolvido à família nessa quarta-feira (24). Por volta de 00h, a menina foi levada a ala da maternidade por uma mulher - que usava jaleco e máscara de proteção - se passou por médica. O circuito de câmeras de segurança flagrou o momento em que ela sai do hospital com a criança no colo e entra em um carro, que dava a cobertura ao crime.
Quando o pai suspeitou da demora, foi atrás da menina e descobriu que ela já não estava mais no hospital. O sequestro da bebê foi imediatamente informado à Polícia Militar.

O caso gerou grande comoção social, especialmente nas redes sociais, e relembrou diversos episódios que também chocaram o país.
O caso Pedrinho
Maria Auxiliadora Rosalino e Jairo Braule já tinham dois filhos quando o caçula Pedrinho nasceu, em 20 de janeiro de 1986. Treze horas depois do parto, a mãe que estava sozinha com o bebê no quarto 10 do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e uma mulher apareceu se identificando como assistente social. Ela foi gentil e disse precisar levar o recém-nascido para exames. Auxiliadora não impediu. Ainda era recente a perda de um filho anterior, que morreu dois dias após vir ao mundo. Então, todo cuidado era bem-vindo. Ela só não podia imaginar que, na verdade, Pedrinho estava sendo roubado.
O caso foi chocante e inspirou a criação da conhecida personagem Nazaré Tedesco, de Aguinaldo Silva, na novela 'Senhora do Destino', da TV Globo. A mulher foi identificada, posteriormente, como Vilma Martins Costa. A criança permaneceu com ela por 16 anos. Vilma criou Pedrinho com o nome de Osvaldo Borges Júnior, em Goiânia. Apenas no dia 8 de novembro de 2002, 16 anos depois do rapto, o exame de DNA foi feito e confirmou que o menino era filho de Maria Auxiliadora e Jairo Braule.
Atualmente, com 38 anos, Pedro Júnior Rosalino é advogado formado pelo Centro Universitário de Basília (UniCeub), casado e pai de duas crianças, um menino de 9 e uma menina de 3 anos. No meio jurídico em Brasília, muitos conhecem sua história de vida e se referem a ele como o "Doutor Pedrinho".
Em 2017, seu nome ganhou destaque após a notícia de que ele trabalhava em um escritório da capital e atuava na defesa do hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), investigado num processo da Operação Lava-Jato.
Já em abril deste ano, o nome de Rosalino recebeu novo destaque quando circulou a informação de que ele integrava a defesa do ex-jogador de futebol Robinho, condenado por estupro.
Caso Marco Aurélio
Outro caso que até os dias de hoje não foi solucionado, aconteceu em1985, quando o escoteiro, Marco Aurélio, foi sequestrado quando tinha 15 anos em uma trilha no Pico dos Marins, em Piquete (SP), a cerca de 200 quilômetros da capital paulista. O grupo que o acompanhava afirmou que ele desceu a trilha sozinho após um colega ter se machucado e nunca mais foi encontrado.
Depois de quase 40 anos do desaparecimento, o caso segue em aberto e sem respostas, pois ainda não há pistas concretas sobre o que aconteceu com o menino. A Polícia Civil não descarta nenhuma possibilidade e continua investigando o desaparecimento.
Caso Bruna Marques Melo
Também em Minas Gerais, na cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro, Bruna Marques Melo brincava com os irmãos, quando uma caminhonete passou entregando panfletos de circo na frente da casa dela. As crianças entraram para mostrar o papel à mãe, mas Bruna nunca mais foi vista. Ela desapareceu em outubro de 2009 e até hoje não foi encontrada.
Em 2014 houve notícias de que a garota estaria em Sacramento (MG), com uma família de ciganos, porém a polícia investigou o caso e a garotinha – que diziam ser a cara de Bruna – não teve o DNA compatível com o da mãe.
Caso Filipe Francisco Lopes Dantas
Filipe Francisco Lopes Dantas nasceu em um hospital de Santos (SP), no dia 17 de abril de 2001. Ele foi sequestrado três dias após seu nascimento, por Silvânia Clarindo Souza, que se disfarçou de enfermeira e entrou no hospital e retirou Filipe dos braços da mãe, com o argumento de que iria levá-lo para fazer exames.
O menino foi registrado pela sequestradora como Alisson de Souza e só foi encontrado dois anos e nove meses depois, em uma favela de Guarujá (SP), e então foi devolvido aos pais biológicos.
Caso Matheus Almeida
Já em 1997, Matheus Almeida foi sequestrando no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, no dia 30 de agosto, quando sua mãe Kênia Almeida tinha apenas 17 anos. A sequestradora estava vestida de enfermeira e pediu para levar o bebê ao berçário para trocar a roupa. Desde então, a mãe nunca mais teve notícias do filho.
Atualmente, Kênia briga por uma indenização milionária que a unidade de saúde foi condenada a pagar. A polícia encerrou o inquérito por falta de indícios de autoria do crime. O processo criminal foi arquivado em 2002 por falta de provas e nunca surgiram pistas novas sobre o menino ou a sequestradora.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



