Itamaraty reconhece não ter em mãos segunda lista de repatriáveis de Gaza
Um dos repatriados disse que nova lista existe, mas depende de aprovação

O Ministério das Relações Exteriores reconhece não ter em mãos uma nova lista com nomes e o número de pedidos de repatriação de cidadãos brasileiros e parentes estrangeiros que estão na Faixa de Gaza em meio ao conflito Israel-Hamas. A existência desse segundo grupo, que incluiria de 40 a 50 pessoas, é defendida pelos repatriados do território palestino.
Na segunda-feira (13/11), na chegada dos 32 cidadãos que estavam no território palestino, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mostrou surpreso ao descobrir que duas mulheres (mãe e irmã de um dos repatriados) não integraram o grupo por não terem sido autorizadas a embarcarem ao Brasil. Ele acreditava, até então, que elas não embarcaram por vontade própria. No domingo, em entrevista coletiva, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a mulher, de 50 anos, e a filha, de 12, tinham desistido por motivos pessoais.
Durante a recepção dos repatriados, Hasan Rabee (que ficou conhecido por vídeos relatando sua aflição pelo conflito), pediu para Lula providenciar a vinda de sua mãe e de uma irmã que ficaram supostamente no aguardo dessa segunda lista.
“Graças a Deus que a gente chegou aqui. Agradeço muito ao governo federal, ao presidente e a todos vocês pelo trabalho. Eu gostaria muito de trazer nossos familiares para cá. (Elas estão) Só na segunda lista. São duas listas. Até agora não vieram pela não aprovação da segunda lista.”
“Então, Mauro (Vieira), temos que continuar brigando pela aprovação da segunda lista”, respondeu Lula, mencionando o ministro das Relações Exteriores.
“Tem mais gente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Enquanto tiver lista e possibilidade da gente tirar uma pessoa, mesmo que seja uma só, a gente estará à disposição para mandar buscar as pessoas. Não vamos deixar nenhum brasileiro ficar lá por falta de cuidado do governo”, acrescentou o presidente.
À Itatiaia, a assessoria do Itamaraty disse que não há, por ora, previsão de novas operações de repatriação. Cidadãos que estejam em Israel e na Cisjordânia teriam, segundo o órgão, possibilidade de acesso a aeroportos que seguem em operação (no caso dos brasileiros que estão no território palestino, eles se deslocariam para a Jordânia).
Para uma possível nova lista relativa àqueles que estão em Gaza, o ministério diz que os cidadãos devem seguir o processo de acionar o escritório de representação do Brasil em Ramallah, na Cisjordânia. O problema, no entanto, é que para uma nova repatriação sair do papel, eles ainda devem esperar o aval de Israel e Egito para a saída de Gaza.
Até o momento, apenas metade dos sete mil estrangeiros que declararam interesse em sair da Faixa de Gaza conseguiram voltar a seus países de origem. O Brasil integrou a sétima lista geral.
Com a última chegada, nessa segunda-feira (13), a operação Voltando em Paz concluiu a repatriação de 1.477 brasileiros e familiares que estavam na região do conflito. Foram 10 voos da Força Aérea Brasileira oriundos de Israel (8), Cisjordânia (1) e Gaza (1).
É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
