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Homem filmado estuprando a própria esposa é absolvido pela justiça

Mesmo com vídeo, juiz decidiu pela absolvição por “falta de provas”; Ricardo Penna Guerreiro, de 56 anos, continua preso por tentativa de homicídio contra seis pessoas

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Empresário foi absolvido da acusação de estuprar esposa sob efeito de calmantes
Empresário foi absolvido da acusação de estuprar esposa sob efeito de calmantes • Reprodução

O empresário Ricardo Penna Guerreiro, de 56 anos, acusado de estuprar a própria esposa, foi absolvido pela Justiça em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O juiz do caso considerou que não havia provas do crime, mesmo havendo vídeo com a filmagem do estupro. Guerreiro havia sido preso preventivamente em janeiro por estupro de vulnerável. Apesar da absolvição, o empresário continua na cadeia, por ter sido condenado a 37 anos de reclusão por tentar matar seis pessoas em 2000.

A ex-mulher do empresário, Juliana Rizzo, de 34 anos, gravou o então marido abusando sexualmente dela, enquanto estava desacordada, sob efeito de antidepressivos e calmantes. Ela divulgou as imagens nas redes sociais e fez um desabafo:

"Estupro no casamento existe sim. Quando uma mulher não quer ou quando ela está dopada de remédios (como era o meu caso) é estupro. Diversas vezes fui violentada, machucada enquanto estava sob efeito de antidepressivos e ansiolíticos devido a toda depressão e crises de ansiedade que eu adquiri nesse casamento. Esse monstro me destruiu durante muito tempo. Nem a minha família imaginava a gravidade de tudo que eu vivia. Sentia vergonha, medo e, inclusive, nojo de mim mesma por estar tão fraca e adoecida. Mas eu me libertei. Deus é maior. Justiça", escreveu.

Absolvido do crime de estupro de vulnerável

Mesmo com os vídeos, o juiz Vinicius de Toledo Piza Peluso, da 1ª Vara Criminal de Praia Grande, absolveu o empresário em 27 de julho. O caso corre em segredo de justiça. Segundo apurações do G1, a defesa de Ricardo utilizou o depoimento da médica psiquiatra do casal para negar as acusações. A profissional informou que os remédios tomados por Juliana não alteravam o nível de consciência.

A defesa do acusado defendeu que não haviam provas de que a mulher não poderia oferecer resistência ou de que a relação sexual teria sido forçada. Além disso, a vítima afirmou que tomava os remédios à noite, mas os vídeos foram gravados pela manhã. Os argumentos levaram à absolvição do empresário.

Em entrevista ao G1, o advogado de Juliana, Fabrício Posocco, afirmou que recebeu a decisão com surpresa e que irá recorrer da decisão. "Acreditamos que o Tribunal de Justiça de São Paulo poderá analisar as provas existentes no processo e dar um desfecho diferente a esse caso tão complicado", disse.

Empresário segue preso por tentativa de homicídio

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ricardo tentou matar seis pessoas em uma choperia em Praia Grande. Ele tinha 24 anos na época. O empresário e um outro homem teriam se desentendido com um grupo de seis pessoas e atirado contra elas. Duas pessoas ficaram feridas.

O TJ-SP entendeu que os atiradores tentaram matar as vítimas “por motivo fútil e utilizando-se de recurso que dificultou a defesa das vítimas, mediante disparos de arma de fogo”. Em março de 2019, o caso foi levado à júri popular. Ricardo foi condenado a 37 anos e quatro meses de prisão. Inicialmente a pena seria cumprida em regime fechado, mas Ricardo foi solto após a defesa conseguir um habeas corpus, uma semana após a condenação.

Em 27 de janeiro deste ano, Ricardo foi preso preventivamente pelo crime de estupro de vulnerável contra a ex-mulher. Segundo o advogado de defesa do empresário, Eugênio Malavasi, por causa da prisão, ele não conseguiu cumprir as medidas cautelares relacionadas ao crime de 2000. Por isso, Ricardo teve a prisão pela tentativa de homicídio novamente decretada. Mesmo após ser absolvido do crime de estupro de vulnerável, o empresário continua preso.

Vítima alega que sofria ameaças e era agredida pelo ex-marido: "Ele é um perigo para a sociedade"

Juliana alega que o ex-marido a agredia constantemente com socos, era agressivo com o filho do casal e já chegou a ameaçá-la de morte. Segundo ela, os dois começaram a namorar em 2018 e se casaram um ano depois, em 2019.

Ela conta que Ricardo era amoroso no início do relacionamento, mas depois começou a agredi-la verbalmente. As agressões físicas começaram durante a gravidez do primeiro filho do casal. “Estava grávida de três meses e no dia do meu aniversário ele me agrediu. A gente saiu para comemorar e ele achou que eu estava rindo de uma piada que os amigos dele fizeram, mas eu nem tinha escutado. Ele me espancou de um quarto para o outro porque achou que eu estava rindo de uma piada”, disse ao G1.

Em agosto de 2021, o Ricardo se envolveu em um acidente de trânsito. Ele perdeu o controle do carro e bateu contra o estacionamento de uma clínica em Praia Grande. O veículo de luxo, avaliado em R$275 mil, ficou completamente destruído.

Juliana afirma que o empresário estava tentando matá-la quando se acidentou. “Neste dia, ele estava na rua tentando me matar. Ele é um perigo para a sociedade. Eu lamento muito, porque é o pai do meu filho", afirmou.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.