'Espero que eles falem onde está enterrado o corpo da Eliza Samúdio', diz delegado responsável pelo caso
Com estreia de produção sobre o caso na Netflix, delegado Edson Moreira conversou com a Itatiaia e afirmou acreditar que produções audiovisuais podem ajudar no caso da ocultação do cadáver da modelo, morta em 2010

Edson Moreira ia assistir um jogo da Seleção Brasileira quando o caso do desaparecimento e, posteriormente, da morte de Eliza Samúdio ‘caiu’ no colo da Delegacia de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Minas Gerais. Até então, o caso estava com a delegacia de homicídios de Contagem.
O delegado responsável, Edson Moreira, era "figurinha carimbada" em todos os jornais, o caso tomou proporções que nem mesmo ele poderia prever. “Na época tinha dois telefones, tive que entregar para a secretária para atender, porque na segunda-feira ele já não parava de tocar”, relembrou Moreira em entrevista à Itatiaia.
Isso se deve, em grande parte, ao homem envolvido - e condenado - pelo assassinato. O goleiro da maior torcida do Brasil, vencedor do Campeonato Brasileiro do ano anterior, 2009, e uma das maiores promessas do futebol brasileiro. Bruno Fernandes das Dores de Souza, ou, a forma como mais ficou conhecido, o Goleiro Bruno.
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Hoje, aposentado da Polícia Civil e da carreira política, Moreira espera que produções audiovisuais possam ajudar a achar o corpo de Eliza Samúdio. “Quem sabe o Bola não faz uma reflexão e fala onde está enterrado o corpo dela”, explica o delegado.
O delegado se refere ao ex-policial militar Marcos Aparecido dos Santos, conhecido por Bola. As investigações revelaram que ele teria sido o responsável por executar a modelo. Em 2013, foi condenado a 22 anos de prisão pelo envolvimento no caso. O ex-policial sempre negou qualquer participação no crime e afirmou ser inocente.
Nesta quinta-feira (26), 11 anos após a condenação de Bruno, a plataforma de streaming Netflix lançou o documentário “A vítima invisível: O Caso Eliza Samudio”. Como o próprio título da produção escancara, a vítima era pouco conhecida antes e mesmo após o crime.
Sempre foi Bruno, o perpetrador, que esteve sob os holofotes, tanto pela profissão, quanto pelas investigações do crime, que descortinaram uma trama complexa para o assassinato e ocultação do cadáver da mulher.
Relacionamento abusivo
Um relacionamento cheio de abusos, agressões e ameaças, que termina com a morte da mulher envolvida. Essa poderia ser a descrição de um relacionamento abusivo em qualquer localidade, em qualquer lapso temporal. No entanto, esse caso, acontecido em 2010, se tornou um dos mais comentados da década no mundo todo.
Entre os anos de 2008 e 2009, Bruno conheceu Eliza em um churrasco no Rio de Janeiro. O goleiro do Flamengo era casado e o caso extraconjugal era conturbado, Eliza tornou público as desavenças durante uma entrevista para o jornal Extra, em que contou que havia sido ameaçada pelo jogador.
Relembre o caso
Em julho de 2010, Samúdio foi para um sítio localizado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a pedido de Bruno. Na viagem, ela desapareceu. Durante as investigações, Bruno disse que a mulher tinha ido embora do sítio por vontade própria, e que abandonou o filho - Bruninho - com uma pessoa conhecida dos dois. O menino foi achado numa favela de Ribeirão das Neves.
Ainda em junho, a Polícia Civil de Minas Gerais declarou Bruno suspeito pelo desaparecimento de Eliza. As investigações apontavam que o sumiço da modelo era por conta da gravidez, que poderia ‘atrapalhar’ o casamento de Bruno e manchar a reputação do goleiro, que naquele momento, estava em negociação para ser transferido do Flamengo para o Milan, da Itália.
Em 6 de julho de 2010, um jovem de 17 anos, primo do goleiro, foi encontrado na residência de Bruno na Barra da Tijuca e afirmou ter dado uma coronhada em Eliza. Desacordada, ela teria sido esquartejada a mando do goleiro e, os restos mortais, teriam sido dados a cachorros rottweiler, que teriam dilacerado seu corpo; os ossos da modelo teriam sido concretados.
A Justiça de Minas Gerais expediu o mandado de internação do adolescente que prestou depoimento no dia 6 de julho de 2010 e a prisão preventiva de Bruno e de mais sete pessoas no dia seguinte.
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A Justiça do Rio de Janeiro também havia expedido a prisão preventiva de Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, pelo sequestro e cárcere privado de Eliza, ocorrido em outubro de 2009. Bruno e Macarrão se entregaram à polícia no Rio de Janeiro e foram transferidos para Minas Gerais, onde ocorreu o julgamento.
O julgamento de Bruno Fernandes, Luiz Henrique Romão, Marcos Aparecido dos Santos, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, Fernanda Gomes de Castro, Elenilson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza foi iniciado em Contagem, mais de dois anos após o desaparecimento de Eliza, em 19 de novembro de 2012.
Bruno foi considerado culpado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. O goleiro recebeu o primeiro habeas corpus em fevereiro de 2017, mas dois meses depois ele voltou à prisão após decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal.
Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, é repórter da Itatiaia desde abril de 2023, na equipe de redes sociais. Já passou pela redação do jornal Estado de Minas e assessoria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tem experiência principalmente em vídeos, podcasts e reportagens multimídia.



