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Especialista destaca falta de políticas públicas para combater o feminicídio no Brasil

Pesquisadora da UFMG destaca a falta de políticas públicas e fatores sociais que contribuem para a violência contra mulheres no país

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O Brasil enfrenta uma alarmante realidade: uma mulher é vítima de feminicídio a cada 17 horas. Essa estatística chocante foi revelada em uma entrevista com Nádia Machado de Vasconcelos, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que vem estudando a violência contra a mulher nos últimos três anos.

Fatores de risco e vulnerabilidade

A pesquisadora destaca que existem fatores sociais que contribuem para essa triste realidade. 'Mulheres negras e de baixa escolaridade são aquelas que sofrem mais violência', afirma Vasconcelos. Ela ressalta que esses dados revelam um aspecto cultural e social da violência, onde mulheres em situação de vulnerabilidade social estão também em maior risco de sofrer violência.

Embora existam algumas diferenças regionais, com as regiões Norte e Nordeste apresentando maiores índices de violência, os fatores de risco são similares em todo o país.

Prevenção e conscientização

Vasconcelos enfatiza a importância da educação e conscientização como primeiros passos para mudar essa realidade. 'A gente conseguir educar as nossas mulheres para elas perceberem o fato de que estão sofrendo violência e também educar os nossos homens para eles perceberem que aquilo que eles estão praticando é violência', explica.

A denúncia também é crucial. A pesquisadora incentiva as vítimas a procurarem a rede de proteção, seja através da polícia, atendimentos de saúde ou ONGs que oferecem suporte. Ela ressalta que tornar pública a violência é fundamental não só para tirar a vítima do ciclo de abuso, mas também para conscientizar a sociedade e impulsionar o desenvolvimento de políticas públicas de proteção.

A raiz do problema: cultura patriarcal

A pesquisadora aponta que o principal fator por trás da violência contra a mulher é a visão da mulher como propriedade do homem, enraizada em uma sociedade patriarcal e machista. 'A mulher é vista como uma posse do homem e uma vez que o homem tem essa posse, ele acha que pode fazer o que quiser', explica Vasconcelos.

Ela alerta que momentos de perda de poder, como o término de um relacionamento, podem aumentar o risco de violência, já que alguns homens não aceitam o fim da relação.

Sinais de alerta

Vasconcelos ressalta que a violência não se limita apenas à agressão física. Comportamentos como gritar, jogar objetos, ameaçar, impedir o contato com amigos e familiares são sinais de um relacionamento abusivo e podem escalar para formas mais graves de violência.

A luta contra o feminicídio no Brasil exige uma abordagem multifacetada, incluindo educação, conscientização, políticas públicas eficazes e uma mudança cultural profunda. Só assim poderemos esperar uma redução significativa nesses números alarmantes e garantir a segurança e o bem-estar das mulheres brasileiras.

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