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Cidades têm supermercados vazios após enchentes no RS; maior desafio é encontrar água

Moradora de São Leopoldo registrou gôndolas vazias e relata caos em meio a tragédia; reportagem da Itatiaia também flagrou falta de produtos em Porto Alegre

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Supermercado em São Leopoldo registra falta de produtos • Imagens cedidas à Itatiaia

Entre os inúmeros problemas causados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, o desabastecimento dos supermercados têm sido fonte de preocupação para os moradores. Em São Leopoldo, a designer gráfica Ariana Trindade, de 27 anos, flagrou gôndolas vazias nos estabelecimentos da região.

"Domingo quando fomos ao mercado já não tinha quase nada. As carnes estavam acabando, mas os cereais essenciais já não tinham. Nem arroz, feijão, farinha, leite, ovos e, principalmente, água. Em um outro mercado, paguei R$ 7,90 em um quilo de farinha. Mais caro que o normal", contou à Itatiaia.

A reportagem da Itatiaia foi em supermercados de Porto Alegre e também notou o desabastecimento de alguns produtos. Porém, a situação dos mercados da capital gaúcha melhorou se comparado aos últimos dias. Agora, nota-se a fata de itens como papel toalha e copos plásticos, que estão sendo usados nos abrigos da cidade. A Itatiaia também registrou o desabastecimento de frutas, hortaliças e alguns cortes de carne.

Segundo Ariana, em São Leopoldo, os mercados da cidade estão começando a ser reabastecidos, mas o estoque acaba rapidamente.

Condomínio alagado

Moradora de São Leopoldo a um ano, Ariana conta como foi o momento que teve o condomínio inundado.

"O caos tomou conta quando o nível do rio começou subir e as autoridades começaram nos alertar. A cada centímetro que o rio aumentava, a prefeitura avisava a população. Fiz um estoque de comida e água em casa, antes da cidade ser alagada. Mas não tínhamos noção que seria desse jeito. Quando o rio subiu a ponto de alagar tudo, no sábado de manhã, em minutos a água estava no joelho no condomínio onde moro. Como foi de surpresa, todos os moradores começaram a sair às pressas. Deixamos, inclusive, o estoque feito para trás", relembra.

A designer diz que foi para a casa de parentes em São Leopoldo e que ainda não sabe se teve a casa invadida pela água. "Eu moro em prédio, mas não temos certeza do nível que a água chegou. Além disso, nosso medo são os saqueadores. Eles estão entrando nos prédios e levando tudo", relata.

Apreensiva por não saber se perdeu os bens, Ariana relata o sentimento diante a tragédia. "É um misto de sentimentos, minha filha faz cinco anos dia 15 e eu estava com tudo certo para comemorar esta data. Infelizmente, não vamos comemorar do jeito que queríamos. Estamos apreensivos por tudo. Não só por nós, mas por todo o povo. Com certeza, tem gente em uma situação muito pior. Graças a Deus estamos em segurança. Já algumas pessoas, além de perderem tudo, perderam familiares ou estão desaparecidos", comenta.

Ariana conta que estava sem água na casa dos parentes, mas que nessa quarta (8) a situação começou a ser reestabelecida. "Água começou chegar, mas impropria para consumo ainda. Usamos somente para tomar banho e lavar a louça. Antes da água chegar estávamos usando água da chuva e às vezes conseguíamos com alguns vizinhos que tem poço. A única coisa bonita de se ver nessa situação é a solidariedade do povo", finaliza.

Temporal no RS

O Rio Grande do Sul decretou estado de calamidade pública em centenas de cidades. Segundo a Defesa Civil, as fortes chuvas que atingem o estado gaúcho, desde segunda-feira (29), já afetaram quase 1,5 milhão de pessoas. De acordo com os dados mais atualizados, são 107 mortos, 134 desaparecidos e mais de 320 mil desalojados.

Como ajudar?

Segundo as autoridades, desabrigados e desalojados que foram acolhidos pela Defesa Civil precisam não só de alimentos, como também de colchões, roupas de cama e banho e também cobertores. Quem mora na região de Porto Alegre pode contribuir presencialmente no Centro Logístico da Defesa Civil Estadual (avenida Joaquim Porto Villanova, 101, bairro Jardim Carvalho, Porto Alegre).

Além de receber doações de vários itens, as autoridades permitem a doação de qualquer tipo de valor em dinheiro. Para permitir a colaboração de pessoas de outras cidades e estados, o Governo do Estado criou uma chave Pix para receber doações. Quem quiser contribuir, pode fazer um Pix para o CNPJ 92958800000138.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.

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