Cerimônia laica marca enterro de corpos encontrados em barco à deriva no Pará
Vítimas ainda não foram identificadas, nem famílias localizadas; corpos seriam de migrantes vindos da Mauritânia e de Mali, países do continente africano

Os corpos dos imigrantes africanos, encontrados mortos em um barco à deriva na região de Bragança, no litoral paraense, foram sepultados na manhã desta quinta-feira (25). As nove vítimas localizadas são da Mauritânia e de Mali, países do continente africano. Já que não se sabe qual era a fé dos imigrantes, o enterro foi realizado em uma cerimônia laica.
O momento contou com a presença das autoridades que participaram do trabalho de perícia e investigação do caso. Os corpos foram sepultados no cemitério São Jorge, em Belém (PA). Localizado no bairro Marambaia, o cemitério é público e está sob a administração municipal.
Apesar de terem sido enterrados, os corpos ainda podem ser exumados e o traslado feito para o sepultamento no país de origem, caso as vítimas sejam identificadas e as famílias localizadas.
Veja o que se sabe:
A Polícia Federal ainda apura quantas pessoas estavam no barco encontrado com corpos em decomposição, na região de Bragança, no litoral paraense, na manhã do dia 13 de abril. A embarcação teria saído da Mauritânia, no continente africano, e navegado por quase cinco mil quilômetros.
Inicialmente a PF acreditava que havia cerca de 20 corpos no barco. Mas na segunda-feira (15), após o barco chegar em terra firme, a corporação encontrou nove corpos, sendo oito dentro do barco e um fora dele.
Porém, após localizar 25 capas de chuvas (sendo 23 verdes idênticas e duas amarelas) e 27 celulares dentro da embarcação, a PF acredita que a viagem tenha começado com ao menos 25 pessoas.
Uma fonte da PF informou à Itatiaia que, agora, a corporação investiga a possibilidade dos corpos 16 corpos não encontrados terem sido lançados ou caído no mar. Ainda há a chance dos fragmentos corporais estarem na embarcação. Exames de DNA irão identificar essa hipótese.
Documentos localizados pela PF apontam que a embarcação estava na Mauritânia, na África, no dia 17 de janeiro deste ano. O barco foi encontrado sem motor ou quaisquer sistemas de propulsão e direção. Especialistas em oceanografia afirmam que embarcação pode ter sido impulsionada por correntes marítimas e ventos do Oceano Atlântico, que a trouxeram da costa africana para o litoral brasileiro.
Apesar de ter sido encontrada por pescadores no Pará, a PF acredita que os migrantes desejavam ir até as Ilhas Canárias, na África Ocidental. O arquipélago pertence à Espanha e é considerado uma porta de entrada para acessar ilegalmente o continente europeu.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.




