Indígenas denunciam ameaças em aldeias no MS após as eleições: 'Índio é só no mato'
O povo indígena Terena denunciou ameaças, intimidações e racismo em aldeias de Mato Grosso do Sul durante o segundo turno das eleições; denúncias são investigadas

O povo indígena Terena, em Mato Grosso do Sul (MS), denunciou nesta terça-feira (27) ameaças, intimidações, episódios de racismo e impedimento de voto dentro das próprias aldeias, ocorridos durante o segundo turno das eleições presidenciais.
De acordo com a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), os indígenas foram impedidos de votar em escolas localizadas nas aldeias. Muitos ainda teriam sido chamados de “bugres”, termo historicamente pejorativo e racista usado no Brasil para designar os povos originários.
Um dos áudios divulgados nas denúncias mostra um homem afirmando que "os povos não deveriam votar".
"Senão nós não vamos começar a botar isso, trabalhar, mandar fechar a porteira para não sair mais para a cidade, porque índio é só no mato. E cortar luz, cortar água, porque índio também não pode ter nada disso, é só lamparina. E água no poço. E eu acho que o índio também não podia voltar", diz o homem em um dos áudios da denúncia.
A APIB destacou que repudia essas violações e exige que as denúncias sejam investigadas, com a responsabilização dos envolvidos e a garantia da segurança das comunidades. “O direito ao voto é de todos! Nenhum povo indígena pode ser ameaçado, discriminado ou silenciado por exercer seus direitos políticos”, afirmou o órgão.
A reportagem entrou em contato com o Governo de Mato Grosso do Sul, com a Polícia Federal e com o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, mas, até o momento, não obteve resposta.
Os Terena são um povo indígena falante de língua Aruak. Atualmente, uma das maiores populações indígenas do país, habitam terras indígenas em dois estados brasileiros, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR), por meio de nota, apontaram que estão atuando em conjunto para investigar as denúncias de violência relacionadas aos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos de terreiro, após o segundo turno das eleições.
"É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas. Vivemos em um país democrático em que as diferentes visões de mundo devem ser respeitadas e coexistir de forma pacífica e livre", afirmou a nota.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.



