Testemunhas de Jeová: veja o que muda com nova regra sobre doação de sangue
Essa flexibilização dá continuidade a atualizações anteriores, reforçando o papel da consciência individual na decisão de utilizar frações do sangue ou o próprio sangue em procedimentos médicos

O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová divulgou, na última sexta-feira (18), uma nova determinação que permite aos fiéis decidirem individualmente sobre o recebimento e a doação de componentes do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma ou plaquetas. A regra, publicada no site oficial da denominação cristã, estabelece que a decisão é uma “questão de consciência pessoal”.
Essa flexibilização dá continuidade a atualizações anteriores, reforçando o papel da consciência individual na decisão de utilizar frações do sangue ou o próprio sangue em procedimentos médicos. A organização afirma que a Bíblia não oferece orientações específicas sobre esses temas, deixando a decisão a critério de cada fiel, uma abordagem que a Itatiaia já havia noticiado anteriormente.
Historicamente, a religião é conhecida por proibir transfusões de sangue, fundamentando-se na passagem bíblica “abster-se de sangue”. Para os religiosos, o sangue é sagrado e representa a vida, sendo um presente de Deus.
Com a nova regra, a decisão sobre o recebimento ou a doação de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma ou plaquetas agora está a cargo de cada fiel. O Corpo Governante considera a questão um discernimento pessoal.
Em março, o Corpo Governante já havia anunciado mudanças na orientação sobre o uso do próprio sangue em procedimentos médicos e cirúrgicos, como parte da revisão contínua das diretrizes.
Na ocasião, a organização afirmou que as escrituras bíblicas não trazem orientações específicas sobre o uso do próprio sangue nesses procedimentos, e que o princípio descrito em Gálatas, capítulo seis, versículo cinco, deveria prevalecer: “Cada um levará a sua própria carga”.
Segundo a autoridade religiosa, não há autorização para estabelecer regras sobre assuntos não especificados na escritura. Neste caso, a doação e o recebimento de componentes sanguíneos não são abordados por nenhuma passagem específica.
As transfusões de sangue total, contudo, permanecem expressamente proibidas. O Corpo Governante ressalta que a vedação da transfusão de sangue total é uma questão religiosa, e não médica, um ponto que já foi tema de decisões importantes, como a do STF, que confirmou direito de recusa.
“Tanto o Velho como o Novo Testamento claramente nos ordenam a nos abster de sangue. Além disso, para Deus, o sangue representa a vida. Então, nós evitamos tomar sangue por qualquer via não só em obediência a Deus, mas também por respeito a ele como Dador da vida”, afirma a organização.
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