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Salário digno no Brasil: estudo revela quanto é preciso ganhar para viver com dignidade

Pesquisa calculou o custo de uma vida digna em 79 regiões brasileiras e mostrou que os valores necessários superam o salário mínimo em todas elas

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Abono será pago para trabalhadores nascidos em março e abril
Marcello Casal Jr/Agência Brasi

Quanto uma pessoa precisa ganhar para viver com dignidade no Brasil? Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com o Anker Research Institute, buscou responder a essa pergunta e concluiu que o valor varia significativamente entre as regiões do país, mas permanece acima do salário mínimo em todos os locais analisados.

O projeto "Salário Digno Brasil" calculou quanto uma família de quatro pessoas precisa receber para cobrir despesas essenciais e manter um padrão de vida considerado digno. A pesquisa analisou 79 macrorregiões brasileiras e levou em conta custos com alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, comunicação, cultura e uma reserva financeira para imprevistos.

Qual é o salário necessário para viver com dignidade?

Segundo os pesquisadores, uma família residente na cidade de São Paulo precisava, em 2025, de uma renda líquida mensal de R$ 6.155 para manter um padrão de vida digno. Isso significa que um trabalhador em tempo integral deveria receber cerca de R$ 4.022 por mês.

Já em Fortaleza, considerada próxima da média nacional em custo de vida, o salário digno estimado foi de R$ 2.773. As diferenças refletem os custos regionais de moradia, alimentação, transporte e mercado de trabalho. Entre as regiões analisadas, o menor salário digno foi calculado para o Sul de Roraima, onde o valor chegou a R$ 1.904. No outro extremo aparece Porto Alegre, com estimativa de R$ 4.763, a maior do levantamento.

Os pesquisadores destacam que o conceito de salário digno não substitui o salário mínimo previsto em lei. Enquanto o salário mínimo possui um valor único para todo o território nacional, o salário digno busca refletir as diferenças reais de custo de vida entre regiões e setores econômicos. Atualmente, o salário mínimo nacional é de R$ 1.621. De acordo com o estudo, todas as estimativas de salário digno ficaram acima desse valor, evidenciando a distância entre a remuneração mínima legal e o montante considerado suficiente para cobrir necessidades básicas de uma família.

Como o cálculo foi feito?

A metodologia utilizada é baseada no modelo internacional desenvolvido pelos pesquisadores Richard Anker e Martha Anker, adaptado à realidade brasileira. Os cálculos utilizaram dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, além de informações sobre mercado de trabalho e composição familiar em diferentes regiões do país.

O estudo considera inicialmente a chamada "renda digna", que corresponde ao valor necessário para custear alimentação adequada, habitação, transporte, saúde, educação e outras despesas essenciais. Em seguida, os pesquisadores transformam essa renda em um valor salarial, levando em conta o número médio de trabalhadores por família e os descontos legais.

Além de medir quanto custa uma vida digna, a pesquisa evidencia as desigualdades regionais do país. Os resultados mostram que trabalhadores de diferentes estados enfrentam realidades econômicas bastante distintas, especialmente em grandes centros urbanos, onde despesas com transporte, moradia e serviços costumam ser mais elevadas.

Os autores afirmam que o indicador pode ajudar na formulação de políticas públicas, no debate sobre valorização do trabalho e na compreensão do poder de compra das famílias brasileiras. Ainda em 2026, o projeto deve lançar uma plataforma interativa que permitirá comparar o salário digno com indicadores como a linha de pobreza e os salários médios pagos no mercado formal.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.