Ítalo Jefferson da Silva, de 43 anos, já havia sido condenado a mais de 38 anos de prisão por diversos crimes, entre eles três estupros. Mesmo assim, estava em
A jovem voltava do trabalho e esperava o ônibus em um ponto quando foi atacada. O caso é mais um exemplo de reincidência, quando o agressor já tem histórico de violência contra mulheres.
“Esse sujeito tem histórico de violência sexual desde os 19 anos. Inclusive, ele ficou conhecido em Belo Horizonte como o maníaco do Calafate, da estação de metrô. Ele estava cumprindo uma pena de 38 anos de reclusão e já estava em regime semiaberto”, disse o advogado que representa a família da vítima, Felipe Henrique.
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A doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora da Rede Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FENJUSP), Amanda Lagreca, explica que a reincidência está ligada a fatores culturais e também à falta de políticas públicas mais efetivas.
“A gente tem uma cultura extremamente machista e misógina. Os agressores sentem que estão no direito deles de serem violentadores, de serem agressores. Isso, aliado à falta de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência no Brasil, acaba colaborando para que essa reincidência continue acontecendo”, afirmou.
Violência em todos os lugares
E do assédio ao feminicídio, a violência contra as mulheres é tão comum que atinge até mesmo uma das maiores autoridades do país. A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, é um exemplo disso.
“Eu sendo primeira-dama, estando em lugares que eu acho que são seguros e, mesmo assim, fui assediada. Se eu, enquanto primeira-dama, que tenho toda uma equipe em torno, um olhar, câmeras, sou assediada, você imagina uma mulher no ponto de ônibus às 10 horas da noite. A gente não tem segurança em nenhum lugar.”
Grupos reflexivos para agressores
Desde 2021, a Lei Maria da Penha prevê a participação de autores de violência contra mulheres em grupos reflexivos e responsabilizantes — uma forma de intervenção psicossocial para tentar evitar novos crimes. Em Belo Horizonte, uma das iniciativas é o Instituto Casa da Palavra, que trabalha na ressocialização de homens encaminhados pela Justiça após medidas protetivas.
O diretor-geral do instituto, Ian Ribeiro, explica que o trabalho busca discutir padrões de masculinidade associados à violência.
“É discutido o que é ser homem para cada um daqueles participantes, como eles desempenham esse ideal de masculinidade que foi ensinado a eles, muitas vezes ligado à potência, à violência e à virilidade exacerbada”, explicou.
Segundo ele, o objetivo é transformar esses comportamentos por meio do diálogo. “A gente tenta trazer para o terreno do diálogo e da palavra esse resgate de memórias e comportamentos que muitas vezes acabam indo para o âmbito da violência”, disse.
De acordo com o diretor, os resultados têm sido positivos. “Nós temos índices muito satisfatórios de queda da reincidência a nível nacional. É uma política que, quando valorizada, tende a trazer ganhos para toda a sociedade”, afirmou.