Belo Horizonte
Itatiaia

Polícia prende quadrilha suspeita de usar IA para pedir falsas doações em dinheiro na internet

Ao todo, 16 pessoas foram detidas; grupo usava imagens de crianças em situação de vulnerabilidade e com doenças graves para comover vítimas e movimentou cerca de R$1,7 milhão

Por
Imagens das supostas crianças doentes criadas pelos criminosos usando Inteligência Artificial. • Reprodução | Redes Sociais

Uma organização criminosa suspeita de criar falsas campanhas de arrecadação de dinheiro na internet, usando imagens de crianças com doenças graves, foi alvo da Operação Sophia, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (14). A ação ocorre simultaneamente em cinco estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.

De acordo com a reportagem da CNN Brasil, a operação é coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos do Rio Grande do Sul. Até o momento, 16 pessoas foram presas preventivamente por suspeita de participação no esquema criminoso.

Como o esquema foi descoberto?

Ainda segundo a CNN Brasil, a investigação começou após a mãe de uma criança em tratamento contra o câncer procurar a Polícia Civil ao descobrir que fotos e vídeos da filha estavam sendo utilizados, sem autorização, em anúncios patrocinados nas redes sociais para pedir doações falsas.

A partir da denúncia, os investigadores passaram a rastrear a estrutura digital utilizada pelo grupo. A análise permitiu identificar os responsáveis pelas campanhas, mapear o fluxo do dinheiro arrecadado e apontar suspeitos que desempenhavam funções específicas dentro da organização criminosa.

As investigações apontam que, somente na campanha fraudulenta que deu origem ao inquérito, foi possível rastrear R$ 294,5 mil recebidos por meio de chaves Pix e plataformas de pagamento. A apuração também revelou que uma empresa apontada como o principal centro financeiro da organização movimentou mais de R$ 1,7 milhão durante o período investigado, indicando que o esquema era mais amplo do que a fraude inicialmente descoberta. As informações também foram divulgadas pela CNN Brasil.

Como funcionava o golpe?

Conforme a investigação, os criminosos criavam campanhas falsas de arrecadação utilizando histórias reais e imagens de pessoas em situação de vulnerabilidade, principalmente crianças em tratamento de doenças graves. Além disso, a quadrilha também produzia vídeos e imagens comoventes com o auxílio de inteligência artificial. O conteúdo era impulsionado nas redes sociais para alcançar um grande número de pessoas sensibilizadas, que acreditavam estar contribuindo para causas legítimas.

Segundo a CNN Brasil, as doações eram direcionadas para contas controladas pela organização criminosa, que desviava integralmente os valores arrecadados. A Polícia Civil continua cumprindo diligências para identificar outros envolvidos e dimensionar o prejuízo causado às vítimas que fizeram doações.

Por

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.