Mendonça suspende por mais 60 dias decisão sobre ações que questionam regras de saúde mental no trabalho
Relator do caso no STF autorizou debate na AGU antes da retomada das negociações; Mendonça acredita que o órgão irá adiantar uma etapa de análise técnica e consulta aos setores envolvidos para fundamentar o debate no Supremo

A Sejan é um fórum da AGU responsável por promover debates e articular soluções jurídicas, sem poder de decisão. O espaço reúne representantes de setores econômicos, trabalhadores e da sociedade civil. Segundo Mendonça, a participação do órgão permitirá uma etapa de análise técnica e consulta aos setores envolvidos, para que as discussões no STF sejam retomadas com informações mais concretas.
O ministro destacou que a medida busca evitar que as próximas audiências se limitem à "reiteração de posições gerais, sem base comum para a formulação de compromissos verificáveis".
Nos 60 dias, a Sejan deverá reunir contribuições técnicas, ouvir representantes dos setores envolvidos e encaminhar os resultados ao Ministério do Trabalho e Emprego. Ao fim do prazo, a AGU deverá apresentar os resultados das discussões para que as negociações sejam retomadas no Nusol.
Mendonça ressaltou que o procedimento não substitui a competência do STF para realizar o julgamento da constitucionalidade das regras. Por enquanto, continuará valendo integralmente a decisão cautelar já concedida pelo Supremo, que suspendeu a eficácia de dispositivos questionados da norma.
A discussão envolve as novas exigências de identificação, avaliação e gerenciamento de fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho em situações que contribuem para o adoecimento mental dos trabalhadores. Por exemplo, assédio moral ou sexual, excesso de trabalho, metas abusivas, conflitos no trabalho, entre outros.
As confederações nacionais dos setores de ensino (Confenen), saúde (CNS) e comércio (CNC) apresentaram ao STF um questionamento sobre a falta de parâmetros claros para orientar empregadores e fiscais sobre a avaliação e aplicação de penalidades.
Adiamentos sobre a NR-1 ocorrem desde setembro
O caso já havia sido submetido a uma tentativa de conciliação no Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) do STF, que realizou uma audiência em 14 de setembro. Antes disso, o Supremo havia validado uma decisão cautelar de Mendonça que suspendeu a eficácia de determinados dispositivos da norma.
O relator no Supremo havia sinalizado que era preciso dar maior objetividade às regras, "sem violação do princípio da segurança jurídica", e, ao mesmo tempo, garantir a redução dos adoecimentos relacionados ao trabalho. Para ele, é importante que a solução conjunta ocorra "sem que se flexibilize o nível de proteção aos direitos fundamentais que as normas impugnadas buscam tutelar".
Ainda com a discussão em curso, no dia 25 de setembro, Mendonça prorrogou por 90 dias a suspensão de multas e outras sanções administrativas contra empresas que descumprirem novas exigências da NR-1. Além disso, deu cinco dias para a AGU enviar informações adicionais sobre uma proposta para a Sejan.
O órgão quis ampliar o debate na esfera administrativa e pediu a suspensão das três ações por 120 dias. Mendonça acolheu parcialmente o prazo solicitado e estabeleceu 60 dias, contados da publicação da decisão.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



