Golpe do amor: como criminosos usam redes sociais para enganar e extorquir vítimas
Criminosos exploram fragilidade emocional e usam perfis perfeitos para enganar vítimas

Perfis falsos que prometem romance, inclusive com celebridades, têm feito vítimas em Belo Horizonte e em todo o Brasil e revelam um golpe cada vez mais sofisticado. Criminosos se passam por nomes de famosos nas redes sociais e em aplicativos de relacionamento para conquistar a confiança das vítimas — muitas vezes pessoas idosas — e, depois, pedir dinheiro ou dados bancários.
A advogada Laura Brito alerta para o aumento desse tipo de crime e diz que há casos em que vítimas perdem economias inteiras, além de fornecer senhas e informações pessoais sensíveis.
“O contato normalmente começa em redes sociais como Instagram e Facebook ou em sites de relacionamento. Depois, migra para as mensagens diretas e, em seguida, para o WhatsApp. Ali, o golpista passa a manter uma rotina de conversas, com ‘bom dia’, ‘boa noite’, até se tornar o principal vínculo daquela pessoa. Em casos mais graves, a vítima faz empréstimos, vende bens e pode até perder tudo o que construiu ao longo da vida”, explica a advogada.
Laura destaca que, em situações extremas, pode haver intervenção judicial. “A gente pode pensar em uma medida cível, como a curatela, para restringir o acesso dessa pessoa às contas bancárias ou à venda de bens, especialmente quando o golpe já causou prejuízos significativos”, afirma.
A delegada Marcela Celar destaca que as quadrilhas são organizadas e chegam a monitorar o comportamento das vítimas nas redes antes de agir. A principal orientação é desconfiar.
“A vítima precisa ficar atenta à pressa. O golpista sempre tenta fazer com que transferências sejam realizadas rapidamente, para evitar que a pessoa perceba que está sendo enganada. Perfis muito perfeitos e uma aproximação afetiva muito rápida também são sinais de alerta”, explica.
A delegada orienta ainda que possíveis vítimas tentem confirmar a identidade do contato. “Uma alternativa é tentar fazer uma videochamada para verificar se aquela pessoa é realmente quem diz ser, embora isso não seja totalmente seguro. O mais importante é não fazer transferências de dinheiro”, ressalta.
“Se possível, a orientação é marcar um encontro presencial em local público e movimentado, como um shopping. Assim, em caso de qualquer situação suspeita, a pessoa pode pedir ajuda”, conclui.
Laura Gorino é mineira e jornalista formada pela UFOP. Atualmente como repórter multimídia na Itatiaia, com passagem prévia pela filial da rádio em Ouro Preto.



