Números de golpes online aumentam no Brasil e reconhecimento facial se torna novo alvo
Número de vítimas de fraudes online, principalmente entre idosos e usuários crescem a cada ano; maior preocupação são os golpes que exploram a tecnologia de reconhecimento facial

O Brasil enfrenta um crescimento preocupante nos números de golpes online, deixando consumidores e instituições financeiras em alerta. Estatísticas revelam um cenário desafiador, com criminosos cibernéticos cada vez mais sofisticados, e surgem golpes envolvendo tecnologias como o reconhecimento facial bancário.
No último ano, o Brasil registrou um aumento de aproximadamente 45% no número de golpes online em comparação com o período anterior. Estima-se que, a cada minuto, dezenas de brasileiros sejam alvos de alguma tentativa de fraude digital. Os dados são de uma pesquisa da ADDP (Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor). Só em 2024, os brasileiros já somam prejuízos de mais de R$ 2,3 trilhões em decorrência de crimes cibernéticos, segundo estimativas do setor.
Vale destacar que o Brasil ocupa hoje a segunda posição no ranking mundial de ataques digitais, com mais de 700 milhões de tentativas registradas em apenas um ano. Um levantamento do Instituto DataSenado revelou que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos já foram vítimas de algum tipo de golpe online: isso equivale a mais de 40 milhões de pessoas.
As modalidades mais comuns incluem o golpe do falso Pix, fraudes em e-commerce, clonagem de WhatsApp e golpes de engenharia social, em que criminosos se passam por instituições ou pessoas conhecidas para obter dados e dinheiro.
"A velocidade com que os golpistas se adaptam às novas tecnologias e ao comportamento dos usuários é impressionante", afirma Caio Arimura, desenvolvedor, especialista em Inteligência Artificial. "A educação digital da população e o investimento em sistemas de segurança robustos são cruciais para mitigar esse problema crescente."
Reconhecimento facial se torna novo alvo
Um dos pontos de maior preocupação atualmente é o surgimento de golpes que exploram a tecnologia de reconhecimento facial, amplamente utilizada por bancos e outras instituições financeiras para aumentar a segurança das transações. Criminosos têm desenvolvido métodos para burlar esses sistemas, seja por meio de vídeos e fotos manipulados (deepfakes) ou pela coerção direta das vítimas.
Uma tática observada é a criação de perfis falsos com fotos e vídeos adulterados para tentar enganar os sistemas de biometria. "Os bancos têm investido massivamente em tecnologias antifraude, mas a engenharia social continua sendo a maior porta de entrada para os golpes, é fundamental que os usuários estejam cientes de que jamais devem compartilhar seus dados biométricos ou realizar validações faciais sob coação. As instituições financeiras nunca solicitam esse tipo de procedimento fora de um ambiente seguro e controlado, como o aplicativo oficial do banco." explica Caio.
Diante do cenário, autoridades e especialistas reforçam a importância da prevenção:
- Desconfie de ofertas e mensagens muito urgentes: golpistas usam a urgência para induzir o erro.
- Verifique a fonte de qualquer comunicação: antes de clicar em links ou fornecer dados, confirme a identidade do remetente.
- Não compartilhe senhas ou dados bancários: bancos e instituições financeiras não solicitam essas informações por telefone, e-mail ou redes sociais.
- Utilize senhas fortes e autenticação de dois fatores: aumenta a proteção de suas contas.
- Monitore regularmente suas movimentações financeiras: identifique rapidamente qualquer transação suspeita.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.



