Belo Horizonte
Itatiaia

‘Aprendi a valorizar a simplicidade’, diz estudante mineira que foi para a Amazônia realizar atendimentos médicos

Estudantes de Medicina de Belo Horizonte foram à região para prestar assistência em saúde a comunidades ribeirinhas em outubro

Por
A expedição durou 12 dias e levu médicos de diversas regiões do Brasil para a Amazônia • Arquivo pessoal | Imagens cedidas à Itatiaia

Foi em um cenário pós-queimadas e em meio à forte estiagem na Amazônia que 30 alunos e 12 médicos e professores de várias regiões do Brasil viajaram para prestar atendimento e assistência em saúde a comunidades ribeirinhas na região. Entre eles, vários mineiros.

“É um lugar mágico, com pessoas extremamente carinhosas, humildes e simples, pessoas incríveis de coração aberto que nos inspiram a continuar na medicina. É uma sensação única, que transborda. Como se meu coração quisesse sair pela boca, de tanto que bate forte”, conta a estudante de medicina Ana Vitória D’Antonino, de 25 anos.

O projeto, que teve duração de 12 dias, propõe uma experiência humanitária para estudantes de medicina, oferecendo a chance de trabalhar em condições diferentes e conhecer um outro lado do Brasil.

Desafios, infraestrutura e simplicidade

“Essa experiência, ao mesmo tempo que é grandiosa, é também pequena em alguns sentidos, especialmente em termos de infraestrutura. Estamos acostumados a grandes centros, com muita tecnologia, mas lá, muitas vezes, não tem nem celular. Isso nos ensina sobre valorizar o essencial”, explica Ana Vitória.

Ali, ela viveu na pele um dos desafios da profissão, que envolvia um jovem de 20 anos, com histórico de agressão a pessoas, suspeitas de esquizofrenia e atraso mental, sem acompanhamento especializado. Ao saber que o jovem gostava de Galinha Pintadinha e chocolate, Ana Vitória teve a ideia de decorar um balão com o tema e levar chocolates para o paciente. Essa abordagem mudou tudo — ela conquistou a confiança do paciente e conseguiu fazer o atendimento: “Essa experiência foi muito marcante para mim. O que vi lá mudou minha perspectiva sobre o mundo e como enxergo as pessoas”.

Ana Vitória D’Antonino momentos antes de fazer um atendimento desafiador na Amazônia

“Construir uma relação com uma pessoa que você nunca viu na vida, sabendo que aquele pode ser o dia mais importante para ela, foi uma lição valiosa. Foram essas experiências simples que transformaram essa vivência em algo grandioso para mim”, conclui.

A visão técnica do projeto

O médico Nathan Mendes Souza, coordenador do curso de medicina do UniBH, destaca a importância dessas experiências para a formação dos estudantes: “Vemos as missões humanitárias como um elemento central na formação médica atual. Em um tempo de grandes avanços tecnológicos, o componente humano, como o toque, o olhar e o vínculo profundo e significativo entre as pessoas, muitas vezes está se perdendo”.

Como professor, Nathan celebra o impacto transformador das missões nos alunos. “Aqui [na faculdade], a transformação é gradual, mas nas missões humanitárias ela é intensa. Um aluno que aqui atende 10 crianças no ambulatório de pediatria, lá atende 150, trabalhando em equipe com colegas e preceptores. O ganho é estratosférico”.

“Alguns alunos retornam dizendo que 15 dias de imersão no interior do Pará equivalem a um ano de internato (o quinto e sexto anos de medicina no Brasil), dada a profundidade dos aprendizados técnicos, humanos, relacionais e da visão de mundo”, finaliza o professor.

Por

Marcello Pereira é jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), com atuação voltada para jornalismo digital, estratégia de redes sociais e produção de conteúdo multiplataforma. Ao longo da carreira, também trabalhou com assessoria de imprensa e comunicação institucional.Atualmente, é editor de redes sociais na Itatiaia, onde atua no planejamento de estratégias digitais, gestão de conteúdo para Instagram, TikTok e outras plataformas, além de contribuir para a coordenação da equipe, distribuição de pautas e análise de métricas e performance de audiência.Com olhar atento às transformações da comunicação, Marcello é entusiasta de tecnologia, inovação digital, análise de dados e tendências em redes sociais, áreas que orientam seu trabalho no desenvolvimento de conteúdo jornalístico para plataformas digitais.