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Anvisa dificulta venda do Zolpidem: entenda para quê serve e quais os riscos do medicamento

A mudança das regras foi causada após o órgão verificar um aumento do uso irregular do medicamento; especialistas alertam para o risco da automedicação

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Remédio (imagem ilustrativa) • Pixabay

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em aumentou as restrições para a prescrição e venda do remédio Zolpidem, usado no tratamento para insônia. Com a decisão, o medicamento passará a conter a tarja preta em sua embalagem e o profissional que prescrevê-lo precisa estar cadastrado junto a autoridade de vigilância sanitária local. Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após o órgão verificar um aumento do uso irregular do medicamento.

O médico psiquiatra Almir Ribeiro Tavares Júnior, coordenador da Associação Brasileira do Sono em Minas Gerais (ABS-MG) e do departamento de medicina do sono da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o Zolpidem é um remédio hipnótico e serve para tratar a insônia e outras doenças do sono. Porém, o seu uso sem acompanhamento médico pode trazer problemas para quem toma.

Zolpidem causa amnésia?

Não é incomum ver relatos nas redes sociais de pessoas que tomaram o remédio à noite, ficaram mexendo na internet antes de dormir e acabaram comprando algo inusitado. No dia seguinte elas acordam sem se lembrar do que aconteceu.

O psiquiatra conta que isso acontece porque o remédio atua no Sistema Nervoso Central, ou seja no cérebro, e pode causar parassonias, que são alterações de comportamento durante o sono. Isso acontece porque a pessoa continua acordada mesmo após o hipnótico começar a fazer efeito. "As pessoas podem ficar com a consciência incompleta. Então, elas agem sem saber, fazem coisas sem estar conscientes daquilo e no outro dia não se lembram tão bem", explica.

O especialista ressalta que esse efeito é algo esperável para remédios indutores do sono. Por isso, é importante ter um acompanhamento médico no caso de tratamentos que usem esse tipo de medicamento. Para além do acompanhamento, Almir explica que o paciente não pode dirigir ou operar máquinas sob o efeito do remédio, nem misturá-lo com álcool. O psiquiatra ainda chama atenção para o fato de que o zolpidem não serve para tratar ansiedade, como muitas pessoas imaginam. Ele apenas induz o sono.

Quais são os efeitos colaterais e como evitá-los?

O psiquiatra Lucas Souza também explica que além da possibilidade de continuar acordado durante o efeito hipnótico do remédio e a amnésia após usá-lo, o Zolpidem pode apresentar efeitos colaterais como tontura, diarreia, sonolência ao acordar e dores de cabeça. No entanto, é importante ressaltar que todos esses efeitos variam de pessoa para pessoa. “A grande maioria das vezes é um medicamento muito bem tolerado pelo organismo, não causando efeitos colaterais tão significativos”, afirma o médico.

Para evitar que esses efeitos aconteçam, principalmente o caso da amnésia e alucinações, o essencial é que o medicamento seja usado logo antes de se deitar, evitando estímulos luminosos e sonoros, como televisão e celular, por exemplo. Na maioria das vezes, os efeitos colaterais, sobretudo mais nocivos, são causados por esses estímulos.

Zolpidem pode viciar?

Segundo a bula do medicamento, o paciente não deve tomá-lo por mais de quatro semanas, sob risco de abuso da substância e dependência. O coordenador da Associação Brasileira do Sono detalha quais são os comportamentos típicos dos pacientes que se já estão no quadro de dependência.

"A pessoa com dependência começa a se preocupar muito com o remédio: com o dia que ele vai acabar, como ela vai ficar sem e como ela vai fazer para tê-lo. Ela precisa estar segura de que vai ter aquela substância. Tudo isso são comportamentos e ideias que povoam a mente de quem está ficando dependente dessa substância. Aí, ela gera vício e abstinência quando o medicamento não é tomado. Então, é preciso cuidado. É uma substância perigosa", alerta Almir.

"Anvisa tomou decisão acertada"

Com a decisão da Anvisa, o zolpidem passará a conter a tarja preta em sua embalagem e o profissional que prescrevê-lo precisa estar cadastrado junto a autoridade de vigilância sanitária local. Almir afirma, em nome da Associação Brasileira do Sono (ABS), que o órgão tomou a decisão correta ao endurecer as regras para a prescrição e venda do medicamento.

"A decisão é bastante acertada. Inclusive, nós que pedimos a Anvisa. Eu creio que isso vai inibir um pouco esse uso abusivo e excessivo. Isso vai mostrar para as pessoas que essa não é uma medicação tão simples assim”, afirma o psiquiatra.

"Essas receitas estavam brandas demais. Isso era um defeito da legislação e das normas vigentes. Então, agora isso foi corrigido adequadamente. Eu acho que deve melhorar um pouco o problema. A dificuldade é que agora já se criou uma cultura de abuso de zolpidem. Temos que ter uma mudança de cultura e de educação da população. As pessoas precisam entender que hábitos bons com relação ao sono sã muito importantes e considerados hábitos básicos, como a atividade física", acrescenta.

Para evitar a necessidade de tomar o zolpidem, o psiquiatra lista hábitos que podem ajudar a desenvolver a insônia. "Os hábitos bons são dormir de sete a nove horas, no caso de adultos, dormir e acordar sempre no mesmo, e não fazer refeições tarde da noite", aponta.

*Com informações de Maria Fernanda Ramos

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.