Ação policial deixa sete mortos no Amapá e Secretaria de Segurança afasta PMs envolvidos
Segundo a PM, dos sete mortos, quatro eram envolvidos com o tráfico de drogas na região e três não tinham ligação com o crime; população contesta versão

Já a população local apresenta uma versão diferente. Nas redes sociais, amigos e familiares afirmaram que os jovens não são envolvidos com o crime e que voltavam de uma partida de futebol quando foram abordados pela polícia. A morte dos rapazes gerou comoção entre os moradores da região.
Nove policiais foram afastados
Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (5), a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) do Amapá informou que os nove policiais militares envolvidos na ação foram afastados do trabalho operacional. A pasta ainda garantiu que a ocorrência será investigada "com transparência e o rigor das leis".
Um inquérito contra os PMs foi aberto para apurar se houve excessos ou uso desproporcional da força. Caso a suspeita seja confirmada, os agentes sofrerão as medidas estabelecidas em lei.
"Estamos acompanhando, desde as primeiras horas, a ocorrência que culminou no óbito de sete pessoas em decorrência de um confronto com a Polícia Militar. De imediato, todas as medidas cabíveis foram tomadas. A Polícia Civil requisitou à Polícia Científica que fossem realizadas as perícias necessárias, para instauração do inquérito que vai apurar com rigor e imparcialidade todas as circunstâncias dos fatos. Decidimos afastar os policiais envolvidos na ocorrência, para que haja isenção na investigação", pontuou o secretário da Sejusp, delegado José Neto.
A Sejusp confirmou que havia jovens ligados à grupos criminosos no carro alvejado, mas destacou que não incentiva qualquer tipo de prática violenta contra suspeitos.
"Estamos dando toda a atenção necessária para o caso. São sete pessoas que vieram a óbito. Em momento algum incentivamos qualquer tipo de prática, mas foi algo que ocorreu e será investigado. Sobre os ocupantes do carro, temos informações concretas que, entre as pessoas, haviam sim, indivíduos integrantes de organização criminosa, inclusive que já foram presos por porte ilegal de arma de fogo e também por tráfico de drogas", frisou José Neto.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


