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5 anos após a Covid-19 no Brasil, plataforma expõe negacionismo, gestão e vacinação

Cinco anos após a primeira morte por Covid no Brasil, plataforma inédita reúne documentos sobre a gestão da crise sanitária e impactos sociais

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Cinco anos após a primeira morte por Covid no Brasil, nova plataforma expõe negacionismo, gestão e vacinação • Martin Sanchez, via Unsplash

Após cinco anos da primeira morte por Covid-19 no Brasil, uma plataforma digital inovadora para documentar a gestão da pandemia no país foi lançada. O "Acervo da Pandemia", criado pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), reúne uma vasta coleção de vídeos, áudios, documentos oficiais e reportagens sobre a resposta governamental à crise sanitária, além de destacar os impactos sociais da pandemia.

A plataforma, já com 140 registros históricos disponíveis e mais 100 em análise, é vista como um marco na preservação da memória coletiva e uma oportunidade de analisar os erros e acertos da resposta brasileira ao coronavírus. A professora Soraya Smaili, coordenadora do SoU_Ciência, destaca a importância do acervo não somente como repositório de documentos, mas como um testemunho essencial do período crítico vivido pelo Brasil.

“O Acervo da Pandemia não é apenas um repositório de documentos. Ele é um testemunho do que ocorreu no Brasil durante um dos períodos mais críticos da nossa história recente. Seu propósito é servir como fonte para pesquisadores, jornalistas, formuladores de políticas públicas e para qualquer cidadão que queira entender os erros e acertos na gestão da pandemia”, explicou a professora Soraya Smaili, coordenadora do SoU_Ciência e ex-reitora da Unifesp.

Organizado em 17 temas, incluindo negacionismo, vacinação, e a gestão federal da pandemia, o acervo apresenta a posição do governo Bolsonaro durante a crise, suas decisões polêmicas e o impacto de informações equivocadas na saúde pública. O projeto tem como objetivo oferecer uma base para pesquisadores, jornalistas, formuladores de políticas públicas e qualquer cidadão interessado em entender as lições aprendidas durante esse período.

Com um foco especial no "Necrossistema", termo que descreve as políticas e omissões governamentais que agravaram a pandemia, o Acervo da Pandemia também permite o acesso gratuito ao público e convida à colaboração de novos materiais, ampliando a base de dados.

Veja como acessar o acervo:

O Acervo da Pandemia está disponível gratuitamente para o público no - acervopandemia-souciencia.unifesp.br. Além da consulta ao material já catalogado, o projeto também convida pesquisadores e cidadãos a contribuírem com novos documentos e relatos que possam enriquecer a base de dados.

“O objetivo é que este espaço estimule o debate público e contribua para a formulação de políticas mais eficazes em futuras crises sanitárias”, conclui Smaili.

O projeto foi desenvolvido por pesquisadores e estudantes das universidades federais de São Paulo e do Rio de Janeiro (Unifesp e UFRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que integram o SoU_Ciência. Contou com a colaboração dos grupos de mídia independente Medo e Delírio em Brasília e Camarote da República, além de entidades como a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (AVICO Brasil) e o Centro de Pesquisas em Direito Sanitário da USP (CEPEDISA/USP).

O Acervo da Pandemia está estruturado em 17 temas, permitindo acesso direto aos documentos por área de interesse. Esses temas incluem:

  • Negacionismo e desinformação – Registros de discursos e ações que minimizaram a gravidade da pandemia e disseminaram informações falsas sobre o vírus e as vacinas.
  • Vacinação e políticas de imunização – Documentação sobre a aquisição, distribuição e aplicação das vacinas no Brasil, além dos entraves políticos que dificultaram a imunização.
  • Gestão federal da pandemia – Decisões do Ministério da Saúde, trocas de ministros e estratégias adotadas pelo governo Bolsonaro, muitas vezes em conflito com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
  • Ciência e pandemia – O embate entre cientistas e o governo federal em relação às medidas sanitárias e à adoção de tratamentos sem comprovação científica.
  • Justiça e reparação – Medidas que incluem o reconhecimento da verdade, a preservação da memória, a reparação justa às vítimas e a responsabilização dos culpados.

    Além dos temas, o acervo identifica 16 tipos de agentes que tiveram papel central no período, entre eles:
     

  • Presidência da República – Discursos e posicionamentos do então presidente Jair Bolsonaro sobre a pandemia.
  • Ministério da Saúde – Documentos oficiais e medidas adotadas pela pasta durante os diferentes períodos da crise sanitária.
  • Fiocruz e Instituto Butantan – Produção e distribuição de vacinas nacionais e os obstáculos políticos enfrentados por essas instituições.
  • Governos estaduais e municipais – As ações adotadas em nível local, muitas vezes em oposição ao governo federal.
  • Movimentos negacionistas e sociedade civil – Registros de campanhas contra as vacinas, desinformação sobre a pandemia e esforços da sociedade civil para combater essas narrativas.
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.