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Meta vai lucrar com engajamento de discursos de ódio, projeta especialista após anúncio de Zuckerberg

CEO da empresa vai encerrar programa de checagem de fatos e filtros automáticos que bloqueiam conteúdo ofensivo ou ilegal

Meta controla o Instagram, Facebook e WhatsApp; em comunicado, Zuckerberg fez claro aceno a Donald Trump

O bilionário Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta - conglomerado que controla o Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads -, anunciou que irá encerrar o programa de fact-checking (checagem de informações) das redes sociais da empresa, nesta terça-feira (7). A medida começa a ser implementada nos Estados Unidos e deve ser replicada aos demais países em breve.

Mas o que de fato isso muda para o usuário comum? A jornalista Clara Becker, especializada em combate à desinformação e co-fundadora do Redes Cordiais, explica que a mudança pode aumentar a circulação de notícias falsas pela plataforma, além de ampliar os discursos de ódio.

A jornalista explica que a equipe responsável por checar a veracidade dos conteúdos publicados nas redes sociais da Meta não censurava conteúdo nem retirava postagens do ar. Na verdade, os checadores analisavam um post, sinalizavam o problema para a empresa e a própria Meta era quem decidia o que fazer.

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Becker acredita que a alteração nas diretrizes da empresa tenham uma motivação política e econômica. Para ela, a Meta deseja lutar contra a regulação das redes sociais, movimento em discussão pelo mundo, e pretende se aliar a Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, para ajudá-la nessa empreitada.

Meta vai lucrar com o engajamento de discursos de ódio e desinformações

A ideia, segundo ela, é juntar a força do governo americano com uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Além disso, a Meta também tem interesses econômicos em retirar a moderação de conteúdo de suas plataformas.

A jornalista também comenta que a Meta também pretende ampliar seus ganhos econômicos através do aumento do engajamento por discursos de ódio e o próprio corte das agências que faziam a checagem de conteúdo.

No entanto, apesar do lucro, a medida representa um retrocesso na visão da jornalista.


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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.