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Número de brasileiros em insegurança alimentar cai 85%, mas ainda soma 20 milhões

Especialista afirma que o Brasil está no caminho certo para reduzir o problema, a partir do investimento em políticas públicas

Fome ainda está presente em grande parte do Brasil

O Brasil tem cerca de 20 milhões de pessoas com insegurança alimentar grave, segundo um relatório divulgado na última quarta-feira (24) pela Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO). Apesar dos números ainda serem muito altos, eles representam uma queda de 85% em relação ao relatório anterior. Isso significa que, em números absolutos, quase 15 milhões de brasileiros deixaram de passar fome.

Os divulgados nesta semana indicam que o país tem evoluído para sair dessa situação, segundo a análise do gerente de inteligência estratégica do Pacto Contra a Fome, Ricardo. Mota. O Pacto Contra a Fome é movimento sem posicionamento político que trabalha em prol da segurança alimentar e contra o desperdício de alimentos. O especialista afirma que o país tem evoluído de forma bastante destacada, com foco em políticas públicas para solucionar essa questão.

‘A gente também analisou alguns dados dos orçamentos de políticas públicas relacionadas à segurança alimentar e nutrição nos últimos governos. A gente tem visto nesses dois últimos anos um aumento muito relevante no percentual de investimentos de políticas públicas de segurança alimentar. Com certeza a gente pode entender que o Brasil está numa trajetória muito positiva para sair do mapa da fome’.

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Desperdício de alimentos preocupa

Mais de 55 toneladas de alimentos são desperdiçadas no Brasil anualmente, ao mesmo tempo em que 64 milhões de pessoas vivem com algum grau de insegurança. Se o desperdício da população e do sistema produtivo fosse reduzido, a realidade no país poderia ser bem diferente.

Ricardo Mota destaca a perda de alimentos saudáveis que, além de estragar mais rápido, dificilmente chegam as camadas mais pobres por causa do alto custo. São justamente esses alimentos que vêm sofrendo aumentos constantes de preço nos últimos anos.

‘Isso afeta de forma muito relevante o acesso, principalmente das camadas mais pobres, ao alimento saudável. Então de fato a gente precisa que a população se engaje, se sensibilize e olhe para a imoralidade desse problema do desperdício de alimentos em um país que tem tantas pessoas não só passando fome, mas com restrições a uma dieta alimentar saudável’.


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Jornalista graduada pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2005. Atua como repórter de cidades na Rádio Itatiaia desde 2022