Ouvindo...

O que mais aprendi sobre o Amazonas

Estar no Amazonas pela quarta vez em três anos é um privilégio inegável que precisa ser partilhado

Chegar ao Amazonas sempre é algo que me emociona. Sobrevoar e contemplar por vários minutos quilômetros de floresta verde fechada, entrecortada por rios que igualmente surpreendem, é algo de tirar o fôlego. Nos dá a noção de uma imensidão que nem todos os livros são capazes de descrever. Ao pensar que o motivo da minha viagem foi trabalhar junto com a Secretaria de Estado de Educação do Amazonas (Seduc-AM), vivo e revivo essa emoção com um sorriso no rosto.

Desta vez, conheci mais uma parte importante da cultura desse estado. Manaus estava colorida de azul e vermelho e parecia estar inteira a pulsar no embalo dos bois Garantido e Caprichoso. Mais uma dimensão cultural vivenciada. Além disso, nosso trabalho se concretizou em três dias de reuniões de alinhamento e planejamento, e também momentos de formação elaborados colaborativamente entre a equipe do Instituto iungo e a SEDUC-AM.

Duas aprendizagens foram foram fortalecidas neste ano:

  • O quanto o digital é viabilizador dos encontros para trocas e aprendizados em um estado cortado por rios e florestas.
  • Como a aprendizagem pode ser enorme e rica, entre pessoas de diferentes regiões e com variedade de estratégias.
Leia também

Explorando a primeira dessas aprendizagens - o poder do digital - gostaria de contar como o Amazonas tem um uso extremamente inteligente de todos os recursos tecnológicos que tem à disposição. Se uma comunidade está distante e não possui professores de todas as especialidades, o saber do professor de História ou de Geografia, por exemplo, chega pelo Centro de Mídias de Educação do Estado, com transmissão via satélite, onde o sinal de internet não chega, mantendo a mediação de um professor presente na sala de aula da comunidade, onde está o estudante.

Mais uma prova de como o acesso remoto tem grande importância, é que a nossa formação foi transmitida para professores do interior dessa mesma forma, alcançando educadores que não precisaram viajar de barco por mais de um dia. Neste trabalho em grupo dos professores que estavam presentes na sede de Manaus da Seduc-AM, com os que acessaram a formação remotamente, foram necessárias diversas estratégias e adequações para que a atividade funcionasse. Uma delas foi a presença de um formador on-line, mediando as aprendizagens dos professores do interior, além dos formadores que estavam presencialmente. Assim, capital e interior tinham formadores em um momento rico de formação planejado por ambas as equipes de maneira colaborativa e com produção e planejamento de quem participou presencialmente e remotamente.

Além disso, durante as atividades, esteve comigo um pensamento: “como manter a riqueza amazônica com todos os sentidos que ela ativa - as cores que vemos, os aromas e sabores que sentimos, o som dos sotaques e das músicas - em todo o processo de formação de professores, para que esses também o consigam junto aos estudantes?” Ouso responder que desde o momento inicial de formação, quando os professores em roda acrescentaram aos seus primeiros nomes uma palavra que representava o que os bois bumbás significavam para eles, até o momento final em que socializaram seus planejamentos, conseguimos construir algo muito significativo. A identidade e a cultura de um lugar moram nas pessoas, em suas memórias e expressões. Logo, a formação de professores é um momento inspirador e organizador dessa riqueza cultural para que ela chegue na mesma medida para os estudantes. E quanto mais interações produzirmos, melhor será!


Participe dos canais da Itatiaia:

Alcielle é diretora de educação do Instituto iungo, organização sem fins lucrativos que tem o propósito de transformar, com os professores, a educação no Brasil. É doutora em Psicologia da Educação e mestre em Educação: Formação de Formadores