Uma mãe e o seu filho, de apenas cinco meses, foram resgatados pelo telhado da casa durante uma enchente em Bom Retiro do Sul, no Rio Grande do Sul. Natasha Karine Becker conta como foi viver a situação: “é um pesadelo. Sinceramente, não desejo isso para ninguém. Era muito frio, chovendo o tempo inteiro”.
Em entrevista à Globo News, Natasha contou que ela, o filho, o marido, os sogros e os padrinhos do bebê passaram três dias sem comida, água e luz, esperando por ajuda. A única coisa que ela comeu foram duas bergamotas: “a gente tava sem água, eu tava quase sem leite no peito, daí a minha sogra se pendurou por cima do telhado ali, e bem na ponta do telhado tinha um pé de bergamota, daí ela catou umas bergamotas, que foi o que eu comi, duas bergamotas, para conseguir resistir ali, mas nós ficamos três dias sem luz, sem água, sem comida, com bastante frio”, diz.
Quando a mãe escutou o som dos helicópteros, ela saiu por um buraco no telhado e mostrou o bebê, para sinalizar que ali havia uma criança. Os vizinhos, de acordo com ela, sabiam que ali tinha um bebê e ajudaram a sinalizar a casa. Natasha e o filho foram resgatados por um helicóptero, protagonizando as cenas do vídeo gravado pelo Exército Brasileito. “Eu saí gritando pra ele levar, pelo amor de Deus, pelo menos o meu filho, que se não pudesse levar a gente na hora, que pelo menos levasse o meu filho”, lembra.
Todos da família foram resgatados e estão na casa de uma tia do marido de Natasha. A mãe do bebê de cinco meses e os sogros foram no helicóptero, o marido de barco, e o casal de padrinhos da criança foi levado por outro helicóptero. “Cada um foi resgatado por helicópteros diferentes, por pessoas diferentes, e foram sendo largados em locais diferentes. Eles iam largando em locais perto, que fossem secos, para voltar e resgatar mais pessoas”, relatou.
Na casa em que está a família tem cerca de dez pessoas: “foram três gerações da família que ficaram sem lar”, comenta a mãe. No momento, eles estão dependendo de doações. “Estamos dependendo de outras pessoas para sobreviver agora”.
A casa de Natasha e a dos sogros caíram. “Ainda estamos meio perdidos, parece que a ficha não caiu ainda que a gente não tem para onde ir mais, que a gente não vai ter para onde voltar”, lamenta.