O tatu-canastra, maior espécie viva de tatu, foi flagrado pelo fotógrafo de natureza Alessandro Abdala passeando no Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. Ele conta que o animal é chamado de “fantasma do Cerrado”, porque é muito difícil de ser encontrado. “Muito poucas pessoas já viram, a gente só via vestígios. Buracos descomunais deixados nos barrancos das estradas atestavam atividade recente, mas parecia impossível encontrar esse animal tão peculiar”, conta.
O que torna o episódio ainda mais improvável é a condição do parque naquele dia: era um dia cinzento e chuvoso, “com pouco movimento de fauna no parque”, conforme disse Alessandro.
Ele e mais dois amigos passavam de carro, na estrada de São Roque de Minas para Sacramento, quando viram o animal andando na direção deles, como uma bailarina na ponta de suas unhas, apesar da grandiosidade. “Esse exemplar era enorme. Nos impressionou de imediato pelo tamanho e robustez, seguramente pesava mais de 30 quilos”, lembra o fotógrafo. Além disso, o Gigante do Cerrado tem hábitos noturnos, e passa o dia dentro da sua toca.
Para Alessandro, “ver e registrar o tatu-canastra foi a realização de um sonho há muito desejado. Encontrar o tatu-canastra foi como conhecer uma lenda”. Além de ser um admirador da natureza, o fotógrafo também tem uma relação próxima e “muito antiga”, nas palavras dele, com o Parque Nacional da Serra da Canastra. Ele visita o parque desde pequeno, porque sempre morou em Sacramento, cidade em que está uma das entradas do parque, e tem um tio que “dedicou sua vida como funcionário do ICMBio”, como conta.
Isso também contribuiu para a carreira de fotógrafo. “Sempre gostei de estar em contato com a natureza e de registrar o que eu via”, relata. Hoje, ele se sente realizado: “levar toda essa diversidade ao conhecimento das pessoas através da minha arte é motivo de honra para mim, por isso cada novo registro que realizo na Serra da Canastra é uma grande alegria”.
Os registros também tem o objetivo de lembrar a história, a cultura e a riqueza da natureza no Parque Nacional da Serra da Canastra. “As pessoas passam a valorizar, só valorizam o que conhecem”, avalia.